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Estado de Minas PARIS

Negociações antes da cúpula do clima COP26 terminam sem grandes avanços


17/06/2021 14:54

As negociações anteriores à cúpula do clima COP26 culminaram nesta quinta-feira (17) sem avanços notáveis, de modo que o governo britânico convocará uma reunião ministerial em julho para buscar avanços tendo em vista a reunião que ocorrerá em cinco meses em Glasgow, na Escócia.

"Não posso dizer que houve grandes avanços", reconheceu Patricia Espinosa, responsável pelo clima na ONU, em coletiva de imprensa para fazer um balanço de quase três semanas de videoconferências, particularmente exaustivas na opinião dos participantes.

"É preciso receber orientação no nível político", disse.

Espinosa citou como principais pontos de bloqueio as questões de financiamento e transparência, o acompanhamento dos compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa e o cronograma de sua execução.

Esses são pontos importantes para a implementação do Acordo de Paris de 2015 (COP21), sobre o qual já havia divergências profundas e se esperava progresso durante essas sessões de negociações.

O presidente britânico da COP26, Alok Sharma, indicou que o governo anfitrião vai convocar nos dias 25 e 26 de julho em Londres uma reunião de um "grupo representativo de ministros" de "mais de 40 países" para "desenvolver o trabalho técnico" feito nessas discussões.

"Temos que ir mais rápido em face da COP26", disse Sharma, instando "a manter viva (a meta) de 1,5ºC" como um limite para o aumento da temperatura, o limite mais ambicioso estabelecido pelo Acordo de Paris que, para os cientistas, já poderia ser inatingível.

- Confiança? -

Este encontro abordará os meios para "preencher a lacuna" entre o financiamento climático para os países pobres e a promessa dos países mais desenvolvidos de dedicar 100 bilhões de dólares (84 bilhões de euros, montante que Espinosa considera insuficiente) por ano a partir de 2020.

Esse compromisso ainda não foi cumprido, mas o G7 o reafirmou na cúpula da semana passada. "Tenho insistido repetidamente que é uma questão de confiança", afirmou Sharma.

Em resposta às preocupações manifestadas em particular pela aliança dos pequenos Estados insulares (Aosis), argumentou: "quando se trata da delicada arte de construir confiança, as ações sempre contam mais do que as palavras".

Segundo uma fonte diplomática, devido ao caráter não vinculativo das últimas discussões, foi rapidamente tomada a decisão de descartar por completo esse tema. De sua parte, Espinosa disse à AFP na quarta-feira que "simplesmente não havia tempo suficiente".

O grupo dos países menos desenvolvidos lamentou que esta sessão de negociação "não tenha estado à altura da emergência climática", especialmente atacando o nível "extremamente inadequado" de compromissos de redução de emissões (de gases de efeito estufa) e pedindo maiores compromissos de ajuda financeira.

Finalmente, muitos países expressaram suas preocupações quanto à acessibilidade à próxima COP, devido à pandemia da covid-19.

Como Aosis, temem que "a desigualdade na vacinação afete Glasgow". A jovem sueca, aliada da luta contra o clima, Greta Thunberg, já havia anunciado que não iria à COP para denunciar o acesso desigual às vacinas.


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