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Estado de Minas WASHINGTON

Senador dos EUA exige que Opas explique contratos com médicos cubanos


16/06/2021 21:55

Um influente senador dos Estados Unidos exigiu nesta quarta-feira (16) que a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) explique seu papel na contratação de médicos cubanos através do programa "Mais Médicos" no Brasil, que descreveu como um sistema de "escravidão moderna".

O democrata Bob Menéndez, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado e o latino de mais alto nível no Congresso americano, expressou sua "grande preocupação" com o tema no plenário da Câmara alta, e instou o governo de Joe Biden a pressionar Cuba com mais força para pôr fim a estas brigadas.

"As chamadas missões médicas estrangeiras do regime cubano não são mais do que tráfico de pessoas", destacou o senador de origem cubana.

Menéndez disse que a Opas deve esclarecer seu "papel inaceitável" ao facilitar que Havana obtivesse rendimentos por submeter seus profissionais médicos a "condições de trabalho forçado" no exterior.

"A participação da Opas nos programas de tráfico de pessoas da ditadura cubana não pode ser ignorada e é preciso que preste contas urgentemente", afirmou.

Segundo Menéndez, mais de dez mil médicos cubanos participaram de 2013 a 2019 no "Mais Médicos", criado para atender regiões pobres e zonas rurais do Brasil, e operou através de um convênio com a Opas, representação regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O legislador veterano, um conhecido crítico da Cuba castrista, falou sobre o tema dois dias depois de o governo do presidente Joe Biden se pronunciar sobre o caso judicial que confronta médicos cubanos com a Opas. O governo americano comentou vários aspectos técnicos vinculados à imunidade da Opas, mas não tomou partido por nenhuma das partes.

"Com este escrito, o governo Biden desperdiçou uma oportunidade de avançar na incomparável liderança dos Estados Unidos no combate a todas as formas de tráfico de pessoas e escravidão moderna", disse Menéndez.

"É uma grande decepção e por isso peço ao presidente e ao secretário de Estado (Antony Blinken) que redobrem seus esforços para pressionar Cuba a pôr fim a seu programa de tráfico de médicos e aos muitos abusos que continuam cometendo contra o povo cubano", acrescentou.

Em 2018, os médicos cubanos Ramona Matos Rodríguez, Tatiana Carballo Gómez, Fidel Cruz Hernández e Russela Margarita Rivero Sarabia entraram com uma ação em uma corte federal da Flórida contra a Opas, acusando-a de se beneficiar ao atuar como intermediária do "Mais Médicos".

O caso está atualmente em uma corte federal de apelações em Washington DC, depois que a Opas teve negada a imunidade à qual fez alusão para desconsiderar a ação.

A Opas não respondeu de imediato a um pedido de comentários da AFP.

A venda de serviços médicos é uma grande fonte de receita para Cuba, que em 2018 ganhou 6,3 bilhões de dólares por suas missões em todo o mundo, segundo cifras oficiais.


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