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Estado de Minas BRASÍLIA

Selic tem terceira alta consecutiva para frear inflação


16/06/2021 21:13

O Banco Central do Brasil (BCB) anunciou nesta quarta-feira (16) o aumento da Selic, sua taxa básica de juros, em 0,75 ponto percentual, a 4,25%, para tentar conter uma disparada inflacionária em plena pandemia do coronavírus.

Este aumento da Selic, o terceiro consecutivo, coincide com o prognóstico da maioria dos analistas, e será seguido de outro de pelo menos a mesma magnitude, informou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BCB em um comunicado.

O Copom havia mantido a Selic em sua mínima histórica de 2% de agosto de 2020 a março, para estimular os investimentos e o consumo durante a desaceleração econômica provocada pela primeira onda da doença.

Mas uma escalada da inflação, impulsionada pelo custo dos alimentos e da energia, levou a seu aumento por três vezes em 0,75 ponto percentual.

No acumulado de doze meses até maio, o aumento de preços chegou a 8,06%, seu maior nível desde setembro de 2016, muito superior ao centro da meta anual de 3,75% e seu limite de tolerância, de 5,25%, estabelecido pelo Banco Central.

As projeções de inflação para 2021 estão atualmente em 5,82%, contra 3,34% em janeiro, de acordo com o Boletim Focus de expectativas de mercado.

O Copom manifestou em seu comunicado sua determinação em retomar o controle dos preços e antecipou que em sua próxima reunião, de 3 a 4 de agosto, "antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude".

E destacou que "deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários" para a economia, ou seja, um aumento maior da taxa Selic.

O comunicado também indica "ser apropriada a normalização da taxa de juros para patamar considerado neutro", o que não incentiva nem restringe o crédito, e que os economistas estimam que seria de 6,5% ao ano.

A última pesquisa Focus previa que a Selic chegaria a 6,25% até o final do ano, seu maior nível desde agosto de 2019, mas agora com certeza essa estimativa será revisada para cima.

"Podemos classificar o comunicado como hawk, uma vez que a autoridade, apesar de avaliar que o ritmo de elevação parece adequado, abriu caminho para uma elevação de 100 bps na próxima reunião", afirmou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

- Crescimento com desemprego recorde -

O Copom pode se sentir livre para abandonar sua política de "estímulos", visto que o PIB do Brasil surpreendeu no primeiro trimestre com expansão de 1,2% sobre o trimestre anterior, apesar da virulência da pandemia, que já matou quase meio milhão de pessoas no país.

A expectativa de crescimento da maior economia latino-americana, que era de 3% no início do ano, subiu para quase 5%, após contração de 4,1% em 2020.

Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor agroexportador, enquanto o desemprego bate recordes históricos, com 14,8 milhões de pessoas em busca de trabalho.

Para a central Força Sindical (FS), o aumento das taxas é "desastroso".

"Tivemos uma desnecessária alta dos juros, (...) na contramão da produção, do crédito, do consumo e da geração de empregos", afirmou a FS, que convocou a realização de "mobilizações nos locais de trabalho" nesta sexta-feira e também a participação nos protestos de sábado contra o governo de Jair Bolsonaro, organizados por partidos de oposição, sindicatos e ONGs.


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