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Estado de Minas MÉXICO

Acidente no metrô da Cidade do México foi causado por 'falha estrutural', diz perícia


16/06/2021 19:31 - atualizado 16/06/2021 19:40

O acidente no metrô da Cidade do México, que deixou 26 mortos no dia 3 de maio, foi produto de uma "falha estrutural", de acordo com um laudo pericial preliminar da firma norueguesa DNV, divulgado nesta quarta-feira (16).

"O incidente foi causado por uma falha estrutural", afirma o relatório lido por Jesús Esteva, secretário de obras da Prefeitura da capital, que contratou a DNV.

A empresa acrescentou que o problema está associado a "condições" como "deficiências no processo de construção" e de soldagem dos chamados parafusos Nelson.

Também está ligado à "porosidade e falta de fusão na união parafuso-viga", à "falta de parafusos Nelson nas vigas que compõem o conjunto da ponte", ao uso de "diferentes tipos de concreto na placa" e "soldas inacabadas mal executadas".

A DNV, cujo diretor no México, Eckhard Hinrichsen, participou da apresentação do laudo, planeja entregar mais dois relatórios em 14 de julho e 30 de agosto.

Os especialistas da empresa norueguesa encontraram deformações e fraturas nas vigas das pontes por onde o trem elevado viajava no momento do acidente, detalha o relatório.

- "Castigo" -

O documento afirma que entre as linhas de investigação busca-se determinar se o projeto foi adequado, se foram utilizados os materiais necessários, se a execução da obra foi conforme indicada e se fatores posteriores como operação, reparos e reabilitações influenciaram.

"As responsabilidades derivadas das empresas e dos servidores públicos são da competência do Ministério Público" da Cidade do México, que está conduzindo uma investigação, disse a prefeita da capital, Claudia Sheinbaum, que esteve presente na apresentação do relatório.

Na noite de 3 de maio, uma seção elevada do metrô desabou e dois vagões foram suspensos a uma altura de cerca de 12 metros. Morreram 26 pessoas e pelo menos 80 ficaram feridas.

- Consequências políticas -

A linha 12 - ou "Dorada" -, onde foi registrado o acidente, é a mais recente construção do metrô, que começou a operar em 1969.

Foi desenvolvida durante a prefeitura de Marcelo Ebrard (2006-2012), atual chanceler, um dos homens de confiança de López Obrador e potencial candidato à presidência em 2024.

Opositores apontam Ebrard como um dos culpados pelo colapso, mas o ministro afirma que sua responsabilidade administrativa pelo projeto terminou em 2013 e se ofereceu para apoiar as investigações.

Após a divulgação do relatório preliminar, Ebrard sublinhou em comunicado que um comitê central e um subcomitê técnico, composto por uma centena de especialistas e funcionários, estavam encarregados de revisar e endossar o desenho e a construção do projeto.

Ebrard apontou que os problemas no elevado foram conhecidos depois do forte terremoto de 2017, que deixou 370 mortos e questionou se seu sucessor na prefeitura, Miguel Ángel Mancera, "realizou todas as manutenções necessárias".

Mancera, agora senador, disse a repórteres que espera que seja uma "investigação sem qualquer acusação política".

- Empresa de Slim na mira -

A firma Carso, do magnata das comunicações Carlos Slim, também é apontada na investigação por ser, segundo a prefeitura, a encarregada da construção do trecho dividido em dois.

O mexicano ICA e a francesa Alstom também participaram do projeto.

Sheinbaum, que também é citado como um possível candidato à presidência do partido no poder, anunciou por sua vez que se comunicará com representantes das construtoras envolvidas para "estabelecer um diálogo técnico".

Desde o seu início, a obra foi marcada por polêmicas, pois seu custo foi de 1,2 bilhões de dólares, 70% a mais do que o planejado originalmente.

Além disso, em 2014 a operação de 12 estações foi suspensa por pouco mais de um ano devido à degradação da via, dos dormentes, das fixações dos trilhos e do desgaste ondulatório deste último.


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