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Estado de Minas GENEBRA

Biden em Genebra para cúpula de alta tensão com Putin


15/06/2021 16:07 - atualizado 15/06/2021 16:14

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou nesta terça-feira (15) em Genebra, na véspera de um encontro com seu contraparte russo, Vladimir Putin, que se anuncia especialmente difícil.

"Sempre estou preparado", disse Biden aos jornalistas com um sorriso, quando foi questionado se estava pronto para o encontro.

Às 16h23 (11h23 no horário de Brasília), o avião presidencial Air Force One pousou no aeroporto de Genebra, onde Biden foi recebido pelo presidente suíço, Guy Parmelin, e outras autoridades locais.

Biden desembarcou na Suíça depois de participar de reuniões com seus aliados mais próximos do G7 e da Otan, nas quais os tranquilizou após os agitados anos de governo de seu antecessor Donald Trump.

"Nossa aliança é forte. A Otan está unida e os Estados Unidos retornaram", disse. A União Europeia e os EUA anunciaram nesta terça-feira uma trégua para resolverem a disputa de 17 anos entre a Airbus e Boeing, que envenenou as relações entre os dois grandes blocos econômicos.

Por outro lado, Biden adotou um tom firme nos últimos dias, prometendo que dirá quais são as "linhas vermelhas" que Putin não deve cruzar.

"Não procuro um conflito com a Rússia, mas responderemos se a Rússia continuar suas atividades prejudiciais", disse o líder norte-americano.

Esta cúpula é o destaque de sua primeira viagem ao exterior, e é um assunto de alto risco para Biden. Ele é o quinto presidente americano a se reunir com Putin desde que o russo chegou ao poder no final de 1999.

Em uma entrevista à rede NBC, Putin disse esperar que o presidente democrata se mostre menos impulsivo do que seu antecessor republicano, e aproveitou a ocasião para elogiar Trump, dizendo que é um "homem talentoso".

Ucrânia, Belarus, o destino do opositor russo preso Alexei Navalny, os ciberataques: os pontos de discórdia entre os dois líderes são muitos.

A Casa Branca anunciou que não tem altas expectativas: não são esperados grandes anúncios, mas eles buscarão que a longo prazo as relações entre ambos os países sejam mais "estáveis e previsíveis".

Durante a cúpula do G7, em Cornualha (Reino Unido), Biden insinuou um tipo de fatalismo. "Porque é Putin", respondeu ele a uma pergunta sobre a ineficácia das advertências e sanções contra o governo russo.

Para os especialistas, Putin já conseguiu o que queria: uma cúpula como demonstração da importância da Rússia.

"O mundo está há 18 meses com uma pandemia que o atingiu terrivelmente. O encontro de Genebra representa uma oportunidade para que os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia infundam um pouco mais de otimismo, um pouco mais de esperança à política mundial", declarou o anfitrião, o presidente suíço, Guy Parmelin, durante coletiva de imprensa após uma reunião com Biden.

- Cinco horas de discussões -

Os dois líderes falarão com a imprensa separadamente na quarta-feira depois do encontro. Não há previsão de uma coletiva de imprensa conjunta.

A coletiva após a reunião entre Trump e Putin em Helsinque em julho de 2018 permanece na mente de todos em Washington.

Em uma estranha atitude, que gerou críticas até entre seus defensores, Trump pareceu valorizar mais as palavras do ex-homem forte da KGB do que as conclusões unânimes das agências de inteligência americanas sobre a interferência russa na campanha presidencial de 2016.

Nos seis primeiros dias de sua viagem, Biden buscou, em uma série de cúpulas (G7, Otan, UE-EUA) tranquilizar os aliados dos Estados Unidos.

Marcando o contraste com os anos de Trump, ele insistiu em que os Estados Unidos estão voltando à mesa do multilateralismo, decididos a desempenhar um papel-chave, do combate à pandemia de covid-19 às questões das mudanças climáticas.

Biden e Putin se encontrarão na Villa La Grange, um magnífico edifício do século XVIII, localizado no coração da cidade e de seu maior parque, com uma vista impressionante do lago Leman.

Segundo o Kremlin, as discussões, que começarão às 13h00 (08h00 no horário de Brasília), terão entre quatro e cinco horas de duração. Os chefes da diplomacia americana e russa, Antony Blinken e Serguei Lavrov, participarão nas sessões de trabalho.

A cidade está sob um estrito esquema de segurança, mas um pequeno grupo de manifestantes quis manifestar apoio a Navalny, na prisão após sobreviver a um envenenamento que atribui ao Kremlin. Muitos repetiam em coro "Uma Rússia sem Putin".

Genebra já recebeu uma cúpula ainda mais histórica no passado: o primeiro encontro entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov em 1985.

Essa reunião de três dias em Genebra marcou o início da desescalada da Guerra Fria.

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