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Estado de Minas BOGOTÁ

Comitê de Greve na Colômbia anuncia suspensão temporária de protestos


15/06/2021 15:03

O Comitê Nacional de Greve na Colômbia - a frente mais visível dos protestos que explodiram em 28 de abril passado contra o presidente Iván Duque - anunciou nesta terça-feira (15) a suspensão das mobilizações até 20 de julho.

"Vamos fazer uma interrupção temporária das mobilizações recorrentes que temos feito às quartas-feiras em todo país", disse à Blu Radio Francisco Maltés, um dos porta-vozes da organização, que não representa todos os setores insatisfeitos.

O Comitê convocou para 20 de julho um show e uma "grande mobilização" no Congresso "para entregar projetos de lei", informou Maltés, também presidente da Central Única de Trabalhadores.

A organização tinha interrompido no início de junho as conversas que mantinha desde o início de maio com o governo Duque sem chegar a um acordo para desativar a crise.

Em pleno auge de contágios e mortes pela covid-19, diariamente os manifestantes tomam as ruas para exigir ao presidente uma mudança de rumo em suas políticas, o cessar da repressão policial e um Estado mais solidário diante dos estragos causados pela pandemia, que arrastou para a pobreza 42% da população.

Pelo menos 61 pessoas morreram desde o início dos protestos, segundo autoridades e a Defensoria do Povo, que zela pelos direitos humanos. Dois dos mortos eram membros das forças de ordem.

Segundo o ministério da Defesa, cerca de 2.500 pessoas, entre civis e membros das forças públicas, ficaram feridas nesse contexto.

As mobilizações são na maioria pacíficas durante o dia, mas à noite costumam se tornar violentas, com fortes confrontos entre civis e policiais.

ONU, Estados Unidos, União Europeia e ONGs denunciaram graves excessos cometidos pelas forças públicas.

Segundo a Human Rights Watch, há "denúncias confiáveis" sobre 34 mortes no âmbito dos protestos, das quais 20 aparentemente ocorreram nas mãos de policiais. Entre elas, 16 foram a tiros disparados com a intenção de matar.

No poder desde 2018, o presidente enfrenta a revolta popular a um ano das eleições nas quais deverá ser escolhido seu sucessor. Um eventual acordo com o Comitê Nacional de Greve é visto como um passo para pôr fim à crise, embora não para uma solução definitiva.

"Esperamos que o governo nacional dê uma demonstração de vontade política", acrescentou Maltés.


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