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Estado de Minas BRUXELAS

Confira cinco pontos que tensionam a relação entre a UE e os Estados Unidos


15/06/2021 15:08

A União Europeia e os Estados Unidos pretendem estreitar seu relacionamento com a cúpula entre os principais líderes europeus e o presidente Joe Biden, embora o gesto exija a resolução de disputas pendentes.

Os quatro anos de Donald Trump na Casa Branca geraram irritação óbvia nas instituições europeias, e a visita de Biden acontecerá à sombra dessas divergências persistentes.

- Eterna batalha Airbus-Boeing -

A guerra entre os dois gigantes aeronáuticos já dura quase 20 anos, desde que começou em 2004 em meio a acusações cruzadas de se beneficiar de subsídios importantes.

A batalha dos titãs não deu trégua nesse período, e cada parte obteve autorizações para sancionar a outra no valor de bilhões de dólares em tarifas, em uma espiral sem fim à vista.

Em março deste ano, as partes suspenderam a aplicação de novas sanções até 11 de julho e, durante a Cúpula com Biden, anunciaram um acordo para estender a trégua por um período de cinco anos, tempo para buscar uma solução definitiva.

- O duelo de tarifas -

Em junho de 2018, Trump despejou um balde de água gelada nas relações com a UE ao anunciar tarifas punitivas de 25% sobre as importações de aço europeu e 10% sobre o alumínio. Foi uma decisão que afetou também países de outras regiões, mas o gesto inevitavelmente envenenou as relações com Bruxelas até sua saída da Casa Branca.

A UE adotou imediatamente tarifas retaliatórias, tributando produtos americanos tradicionais, como suco de laranja, jeans, tabaco, milho, arroz e as icônicas motocicletas Harley-Davidson.

Em maio deste ano, UE e Estados Unidos iniciaram contatos para tentar resolver a disputa, embora a visão dos europeus seja de que o novo governo ainda não expressou um compromisso firme, já que as tarifas continuam populares em regiões dos Estados Unidos que são politicamente essenciais para Biden.

- Impostos a gigantes digitais -

Os Estados Unidos, por sua vez, não escondem sua enorme irritação com a decisão europeia de combater os mecanismos que os gigantes tecnológicos utilizam para sonegar impostos. O chamado grupo GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple) está no centro da ira de países europeus - especialmente França e Espanha - que buscam obrigar essas empresas a pagar os impostos devidos.

Durante seu mandato, Trump reagiu com raiva à posição europeia e, com a iminência de uma nova tempestade de tarifas punitivas cruzadas, o assunto foi deixado nas mãos da OCDE. A posição europeia, porém, foi fortalecida pela posição do G7 sobre um imposto mundial mínimo para as grandes multinacionais.

- O problemático gasoduto -

A decisão da Alemanha de concluir a construção do gasoduto Nord Stream 2, que deve dobrar a capacidade de entrega de gás da Rússia à Europa via o Mar Báltico, é um item permanente na agenda.

Na visão dos Estados Unidos e de vários países europeus, o projeto aprofunda a dependência da Europa do gás russo e, ao mesmo tempo, fornece à Rússia uma ferramenta de pressão política.

A entrega de gás estava prevista para começar em 2020, mas todo o projeto foi atrasado devido às ameaças de sanções econômicas dos EUA.

- O quebra-cabeça chinês -

A China e a UE anunciaram em dezembro passado um ambicioso acordo de "princípios" sobre proteção mútua de investimentos, que deve permitir às empresas europeias um maior acesso ao mercado chinês.

O gesto não foi bem recebido em Washington, não apenas porque a Casa Branca vê a China como um adversário sistêmico, mas também porque a decisão de selar o acordo foi adotada sem esperar que Biden assumisse a presidência.

Esse acordo, no entanto, está praticamente paralisado em consequência das sanções que a China adotou contra cidadãos europeus, em retaliação a medidas restritivas da UE.


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