Publicidade

Estado de Minas SANTIAGO

Chile se inclina para a centro-esquerda moderada na primeira eleição de governadores


14/06/2021 19:22

A centro-esquerda moderada no Chile se fortaleceu no domingo ao vencer a primeira eleição pelo voto popular dos governadores no país, levando a melhor sobre as posições mais radicais e uma direita muito enfraquecida.

O democrata cristão Claudio Orrego derrotou a candidata da aliança Frente Ampla e do Partido Comunista, Karina Oliva, no segundo turno da eleição para governador de Santiago.

As eleições tiveram uma participação inferior a 20% do eleitorado, a menor desde o estabelecimento do voto voluntário no Chile em 2012.

A votação se apresentou como uma medição da hegemonia entre as duas forças da esquerda chilena, quase um mês após a eleição dos 155 membros da Convenção Constitucional que redigirá a nova Constituição.

De um lado, está a "Unidade Constituinte", que congrega a esquerda tradicional, coalizão que derrotou a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que governou o Chile por 30 anos nas urnas.

Do outro, a aliança "Aprovo-Dignidade", formada pela Frente Ampla e pelo Partido Comunista. Esse conglomerado, junto com os independentes - principalmente de esquerda - foi um dos grandes vencedores das eleições de 15 e 16 de maio, quando os chilenos elegeram quem vai redigir a Constituição que substituirá a que vigora desde a ditadura.

Com o vento a favor do voto constituinte, a representante do "Aprovo-Dignidade", a jovem cientista política Karina Oliva, era tida como a favorita para conquistar o governo de Santiago com um discurso sem concessões aos últimos 30 anos de democracia.

Mas, depois de uma campanha que se tornou ainda mais polarizada com os resultados da votação de maio e o fraco desempenho de Oliva nos debates, Orrego venceu graças ao voto da direita, que carece de liderança forte no momento, e do apoio de setores moderados da sociedade civil.

- Linguagem apaziguadora -

Orrego, um político "da velha escola", segundo adversários, apresentou propostas inclusivas, mostrando ter entendido as demandas sociais em uma cidade como Santiago, com uma clara segregação nos níveis econômicos.

"O povo quer uma política de terra, de escuta e de participação. Eles querem uma linguagem não de guerra, não de última investida, não de 'vamos jogá-los todos fora'", disse Orrego em uma entrevista de rádio.

Oliva atribuiu sua derrota, entre outros fatores, ao medo "anticomunista", embora não tenha havido grande mobilização a seu favor nos setores mais populosos da capital chilena, onde prevaleceu.

"Tirar conclusões de um segundo turno de governadores é prematuro, primeiro porque não representa o universo das opções concorrentes e, segundo, porque a lógica presidencial é um pouco diferente", explicou à AFP o analista da universidade Diego Portales, Claudio Fuentes, ao ser questionado sobre a possível influência desta eleição nas eleições presidenciais de novembro.

- Perplexidade -

Segundo Fuentes, "o que esta eleição mostra é que o resultado depende da capacidade de mobilização das coligações e a esquerda (Frente Ampla + PC) não conseguiu mobilizar como em maio".

Gonzalo Müller, professor da Faculdade de Governo da Universidade del Desarrollo, considera que a velha concepção de eixo esquerda ou direita ficou para trás.

No Chile, onde o direitista Sebastián Piñera venceu confortavelmente as presidenciáveis há três anos, a direita conquistou apenas um cargo de governador nas eleições de domingo.

"Há alguma perplexidade sobre o que está acontecendo no Chile. Acostumaram-se com o fato de que se um país toma uma decisão para um lado, se persiste nela, mas no Chile não está tão claro para onde querem ir", afirmou à AFP.

Müller acrescenta que "já quase metade da população vota fora do eixo esquerda e direita".

De olho na eleição presidencial, as pesquisas, hoje muito desacreditadas, favorecem o atual prefeito de Recoleta, o comunista Daniel Jadue, e o prefeito do rico bairro de Las Condes, Joaquín Lavin.

Mas o triunfo de Orrego deu um novo impulso à Democracia Cristã, um dos partidos políticos mais importantes da transição chilena, mas que elegeu apenas um constituinte nas eleições de maio.

A senadora desse partido, Yasna Provoste, aparece como possível candidata presidencial, ainda não confirmada.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade