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Estado de Minas BRUXELAS

Otan se reencontra com EUA e aponta Rússia e China como desafios


14/06/2021 18:05 - atualizado 14/06/2021 18:16

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alertou, nesta segunda-feira (14), sobre os "desafios sistêmicos" apresentados pela China e pediu à Rússia que respeite as normas internacionais, em uma cúpula que marcou o reencontro com os Estados Unidos, um aliado estratégico com o qual passou momentos de tensão nos últimos anos.

Em uma extensa declaração final de dezenas de páginas, os líderes reafirmaram sua "unidade, solidariedade e coesão" para abrir "um novo capítulo nas relações transatlânticas", enquanto definiram a Otan como "a base da nossa defesa coletiva".

Embora fontes diplomáticas tenham afirmado que a declaração se referiria à China sem uma linguagem "incendiária", a nota apontou categoricamente que "as ambições da China" e seu comportamento representam "desafios sistêmicos para a ordem internacional baseada em regras".

"Pedimos à China que respeite seus compromissos internacionais e que atue com responsabilidade no sistema internacional, incluindo nos domínios espacial, cibernético e marítimo", expressou a Otan na declaração.

A "crescente influência da China (...) pode representar desafios que precisamos enfrentar juntos, como uma aliança. Nós enfrentamos cada vez mais ameaças cibernéticas, híbridas e assimétricas", afirmam os líderes.

Ao chegar à sede da Aliança Atlântica para a cúpula, o secretário-geral Jens Stoltenberg disse que "não haverá uma nova guerra fria com a China", mas que devem "enfrentar os desafios impostos pela China à segurança".

- Relação com a Rússia -

Quanto à Rússia, os aliados expressaram que o reforço de sua capacidade militar e de atividades provocadoras nas fronteiras da aliança militar "ameaçam cada vez mais a segurança da área euro-atlântica".

"Continuaremos trabalhando juntos para tratar todas essas ameaças e desafios apresentados pela Rússia", apontaram os países da Otan.

"Até que a Rússia demonstre respeito pela lei internacional e suas obrigações e compromissos internacionais, não poderá haver um retorno à normalidade", acrescentaram.

Em uma coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou que quando se encontrar com o líder russo Vladimir Putin na Suíça, na próxima quarta-feira, explicará quais "linhas vermelhas" ele não deve cruzar.

Em suas declarações, Biden também prometeu o apoio do país à integridade territorial da Ucrânia e condenou as "ações agressivas" da Rússia, que anexou a península da Crimeia ao seu território em 2014.

"Não busco conflito com a Rússia, mas responderemos se a Rússia continuar com suas atividades nocivas", observou.

Em sua declaração, os líderes da Otan também reafirmaram que a retirada de suas tropas do Afeganistão depois de duas décadas "não significa o fim" de sua relação com esse país.

Apesar de a Otan retirar neste ano todas as suas tropas do Afeganistão, os líderem afirmaram que manterão um escritório de Representação Civil em Cabul, e também apontaram que fornecerão "fundos de transição para garantir o funcionamento do aeroporto internacional Hamid Karzai", em Cabul.

- Reaproximação -

Na reunião em Bruxelas, Biden buscou destacar o apoio de Washington à aliança militar várias vezes, depois das tensões durante a gestão de Donald Trump na Casa Branca.

"Quero ser muito claro: a Otan é de suma importância para os nossos interesses e em si mesma", expressou Biden nesta segunda-feira, voltando a se referir a uma "obrigação sagrada" de seu país com a aliança militar.

Stoltenberg destacou que nas reuniões a portas fechadas Biden garantiu aos líderes da Otan o compromisso de seu governo com a aliança militar, em um contraste notório com a difícil relação que o bloco teve com Trump.

No segmento das relações da Otan com atores fora do bloco, o documento afirma que a aliança "intensifica a interação com a Colômbia, um aliado na América Latina, em questões de governança, treinamento militar, desminagem e segurança marítima".

Outro assunto de grande tensão é o papel da Turquia, um aliado difícil que, no entanto, poderia desempenhar um papel central no futuro imediato do Afeganistão depois da retirada das tropas.

O presidente da Espanha, Pedro Sánchez, disse em coletiva de imprensa junto a Stoltenberg que teve uma reunião com Biden na qual, entre outros assuntos, ofereceu detalhes de sua recente viagem pela América Latina.

A Espanha será a sede da próxima cúpula da Otan, em 2022.


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