Publicidade

Estado de Minas TEERÃ

Eleições presidenciais no Irã não devem ter efeito para negociações nucleares


11/06/2021 08:19

As eleições presidenciais do Irã não devem ter um efeito importante nas negociações de Viena para tentar salvar o acordo nuclear, mesmo em caso de vitória do ultraconservador Ebrahim Raisi.

Os iranianos comparecerão às urnas em 18 de junho para designar o sucessor do presidente Hassan Rohani, principal artífice, do lado de Teerã, do acordo assinado em julho de 2015.

O pacto foi assinado pela República Islâmica e o chamado grupo P5+1, formado pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia) e pela Alemanha.

De acordo com vários analistas, a perspectiva de um acordo para reviver o pacto que Washington abandonou em 2018 parece improvável antes das eleições.

Tampouco se espera que a chegada à presidência de Raisi, o grande favorito das eleições, provoque uma mudança da política iraniana de "paciência estratégica", adotada desde a saída dos Estados Unidos do acordo.

"A decisão de um compromisso na questão nuclear transcende as lutas entre facções (políticas iranianas). Trata-se de encontrar um compromisso entre a sobrevivência do regime, ligada à melhora de uma situação econômica deteriorada, e o desejo de preservar o 'status quo' político", declarou à AFP Clement Therme, pesquisador associado do Instituto Universitário Europeu de Florença.

"A questão nuclear é objeto de consenso na República Islâmica", recordou na terça-feira (8) o porta-voz do atual governo, Ali Rabii. "Portanto, não está vinculada aos acontecimentos internos do país e é tratada por instâncias de alto nível", completou.

- Enriquecimento a 60% -

Quando aprovou as negociações iniciadas em Viena em abril, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, estabeleceu a linha a ser adotada: priorizar o fim das sanções americanas impostas, ou que voltaram a ser adotadas durante a presidência de Donald Trump.

O acordo assinado em Viena em 2015 representou um alívio das sanções ocidentais e da ONU contra o Irã, em troca do compromisso da República Islâmica por não desenvolver armas atômicas e reduzir drasticamente seu programa nuclear, sob estrito controle das Nações Unidas.

Ao abandonar unilateralmente o acordo em maio de 2018, Trump restabeleceu as sanções que haviam sido suspensas pelo acordo e iniciou uma campanha de "máxima pressão" contra o Irã com penalidades adicionais.

O resultado: a maioria dos investidores estrangeiros abandonou o Irã, que se viu isolado do sistema financeiro internacional e perdeu os clientes no setor do petróleo. Este quadro levou o país a uma grave recessão com dramáticas consequências sociais.

Em represália, Teerã parou de cumprir, a partir de maio de 2019, a maioria dos limites que havia concordado para seu programa nuclear.

Nos últimos meses, o Irã suspendeu algumas inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e adotou o enriquecimento de urânio 235 até 60% (muito acima do nível máximo de 3,67% previsto no acordo).

O presidente Joe Biden, que sucedeu a Trump em janeiro, afirma que deseja o retorno dos Estados Unidos ao acordo de Viena.

A solução para reintegrar Washington ao pacto seria a suspensão das sanções americanas, como deseja Teerã, em troca da aplicação plena do acordo de 2015 por parte do Irã.

Raisi, assim como os demais candidatos à Presidência, apoiou diversas vezes um acordo deste tipo.

O governo moderado-reformista de Rohani prometeu aos iranianos que as sanções seriam suspensas até o fim de seu mandato e espera alcançar um compromisso em Viena antes de ceder o cargo ao próximo presidente, em agosto.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade