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Estado de Minas CARBIS BAY

Biden e Johnson comemoram aliança apesar das diferenças sobre Irlanda do Norte


10/06/2021 16:55 - atualizado 10/06/2021 17:02

Em seu primeiro encontro cara a cara, Joe Biden e Boris Johnson se encontraram pela primeira vez nesta quinta-feira (10) com ênfase para a aliança histórica entre seus países, deixando de lado as tensões que a aplicação do Brexit provoca na região britânica da Irlanda do Norte.

Esta primeira viagem internacional do presidente americano tem como objetivo marcar a "volta" dos Estados Unidos depois do mandato de Donald Trump, segundo ressaltou Biden ao chegar ao Reino Unido na quarta-feira.

É o início de uma turnê europeia de oito dias que terminará com uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em Genebra.

Para mostrar a importância do relacionamento com seu aliado britânico, Biden iniciou sua visita se reunindo com o Johnson em Carbis Bay, cidade costeira do sudoeste da Inglaterra onde o G7 será realizado de sexta a domingo.

"Estamos todos muito felizes em vê-lo", disse o primeiro-ministro britânico ao presidente americano após uma caminhada com suas respectivas esposas ao longo da costa da Cornualha.

Os dois dirigentes assinaram uma nova "Carta Atlântica", concebida segundo o modelo acordado pelos seus antecessores Roosevelt e Churchill há 80 anos, mas levando em consideração novas ameaças como os ciberataques e a crise climática.

"Ainda que o mundo tenha mudado desde 1941, os valores permanecem os mesmos" quando se trata de defender a democracia, a segurança coletiva e o comércio internacional, segundo Downing Street.

- Não "dar lições" -

As tensões em torno da Irlanda do Norte diante da aplicação do Brexit ameaçavam um melhor resultado da reunião.

Biden, muito orgulhoso da sua ascendência irlandesa, não gosta das tentativas de Londres de violar os compromissos comerciais adquiridos com a União Europeia no chamado "protocolo da Irlanda do Norte".

O acordo permite não ter que reimpor após o Brexit uma fronteira terrestre entre a Irlanda do Norte e a vizinha República da Irlanda, membro da UE, mas torna difícil o envio de mercadorias do restante do Reino Unido para essa região britânica.

O chamado Acordo da Sexta-feira Santa de 1998, alcançado com a participação do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, colocou fim à violência entre republicanos (católicos) e unionistas (protestantes) que ao longo de 30 anos de conflito deixou cerca de 3.500 mortos na região.

"O progresso (registrado desde o acordo) deve ser mantido", Biden iria afirmar a Johnson, de acordo com um alto funcionário americano.

Mas "a ideia não é entrar em confronto ou parecer um adversário, ele não veio para dar lições", ressaltou.

Sobre a questão, Johnson garantiu que há "um terreno de total entendimento" entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Europeia.

"Todos queremos (...) preservar o Acordo da Sexta-Feira Santa e garantir que manteremos o equilíbrio do processo de paz", acrescentou, declarando-se "otimista de que teremos sucesso".

A União Europeia, acusada por Londres de "purismo" jurídico e falta de pragmatismo, alertou numa reunião na quarta-feira em Londres que reagirá com firmeza se os compromissos assumidos não forem respeitados.

"O protocolo" da Irlanda do Norte "deve ser aplicado na sua totalidade", insistiu na quinta-feira a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantindo que vai abordar a questão ao primeiro-ministro britânico no G7.

- "Passo histórico" -

Para além das divergências, se o estilo populista de Johnson lhe rendeu comparações com Trump, um fervoroso apoiador do Brexit, o conservador britânico está muito mais em sintonia com o governo Biden quando se trata de grandes questões internacionais, como a crise climática ou os desafios enfrentados frente à China e Rússia.

Na cúpula dos países ricos, a primeira a acontecer presencialmente em dois anos e cujo assunto principal deve ser a pandemia, o presidente dos Estados Unidos - criticado pela lentidão no compartilhamento de vacinas com o resto do mundo - vai colocar na mesa promessas de comprar 500 milhões de doses da vacina covid-19 da para doá-las a outros países, sendo 200 milhões ainda este ano.

"É nosso dever humanitário salvar o maior número de vidas possível", ressaltou Biden após a reunião com Johnson, qualificando essa ajuda aos países em desenvolvimento de um "passo histórico".

A outra prioridade do G7 será o combate às mudanças climáticas.

Após a cúpula, Biden será recebido pela rainha Elizabeth II no Castelo de Windsor no domingo e, em seguida, participará da reunião da Otan em Bruxelas antes de outra cúpula com a UE.


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