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Estado de Minas CIDADE DA GUATEMALA

Vice americana pede à Guatemala trabalho conjunto para abordar causas da migração


07/06/2021 18:46 - atualizado 07/06/2021 18:51

"Sabemos que muitas pessoas não querem deixar suas casas" e que o fazem porque "não podem atender às suas necessidades básicas", assinalou nesta segunda-feira a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, que pediu à Guatemala um trabalho conjunto para atender às causas da migração e ofereceu seu apoio na luta contra a corrupção.

Kamala começou o dia com um encontro com o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, a quem reiterou a prioridade que o governo de Joe Biden dá à região. "Estou na Guatemala para discutir e promover nossas prioridades conjuntas, a mais importante entre as quais, como você [Giammattei] mencionou, é abordar a migração e desta região em particular", disse a vice-presidente.

"É do nosso interesse coletivo trabalharmos juntos onde possamos encontrar a possibilidade de resolver problemas de longa data", disse Kamala no Palácio Nacional da Cultura, a antiga casa do Governo, no centro da capital.

Para a vice-presidente, "a maioria das pessoas não quer sair de casa, não quer sair do lugar onde a avó cresceu, o lugar onde ela reza, o lugar onde falam sua língua e sua cultura é familiar".

- Grupo de trabalho sobre migração -

Kamala lembrou os perigos a que os migrantes estão expostos em seu trajeto a pé até a fronteira entre México e Estados Unidos, que incluem abusos e a ação de traficantes de pessoas. "Não venham. Os Estados Unidos continuarão cumprindo a lei e protegendo as fronteiras. Nossa prioridade é desencorajar a imigração ilegal. Apenas os coiotes (traficantes de migrantes) se beneficiam", assinalou a vice-presidente.

Para isso, Washington anunciou hoje a criação do grupo de trabalho Alpha contra os traficantes de pessoas no México e na América Central, origem da maioria dos imigrantes sem documentos que chegaram em número recorde nos últimos meses ao território americano, principalmente hondurenhos, salvadorenhos e guatemaltecos.

O giro da vice-presidente está vinculado à promessa de Biden de uma política migratória mais humana, que deixe para trás as fortes restrições impostas por seu antecessor, Donald Trump.

- Criação de empregos -

Kamala considerou que aqueles que migram, ou "estão fugindo de alguns perigos ou simplesmente não podem atender às suas necessidades básicas ficando em casa, não podem atender às necessidades que têm de criar seus filhos ficando em casa".

Por isso, reiterou, é importante, como governantes, dar às pessoas "um sentido de esperança, de que a ajuda está a caminho", numa região duramente atingida pela covid-19, violência e pobreza, situação que se agrava em 2020 pela passagem de dois furacões.

Claro, disse ela, "a esperança não existe por si só. Deve ser acompanhada de relações de confiança, resultados tangíveis em termos do que fazemos como líderes para convencer as pessoas de que há um motivo para ter esperança quanto ao seu futuro", acrescentou.

Por sua vez, Giammattei ofereceu a Kamala "um país que deseja cooperar, que deseja unir esforços". "A construção dessas oportunidades evitará a emigração dos jovens e irá criar na Guatemala as condições para que possam encontrar aqui a esperança que não têm hoje".

Giammattei considerou que os problemas do seu país são "produto de muitos anos de atraso". "Precisamos criar na mente dos guatemaltecos essa possibilidade de gerar esperança de que é aqui que eles devem lutar para construir o país e não lutar para arriscar suas vidas para ir a outros países como os Estados Unidos", acrescentou. O governo apresentou um projeto para a criação de 2,5 milhões de empregos em 10 anos.

- Combate à corrupção -

Os dois dirigentes também discutiram a independência da Justiça e a luta contra a impunidade. "Falamos sobre a importância do combate à corrupção e de um Judiciário independente", disse Kamala. Em nota, ela deu detalhes sobre um grupo de trabalho criado para combater a corrupção na América Central.

Entre os trabalhos do grupo estará "aumentar o número de assessores legais, para proporcionar capacitação e tutoria" ao Ministério Público, incluindo a Promotoria Especial contra a Impunidade (Feci), a fim de enfrentar os casos de corrupção. A iniciativa permitirá "uma capacidade de resposta rápida, para mobilizar promotores e especialistas americanos no cumprimento da lei" com o objetivo de apoiar promotores locais.

Durante a reunião, um grupo de cidadãos se manifestou nos arredores da embaixada americana na Guatemala. Eles exibiam cartazes que responsabilizavam Giammattei pela corrupção e pobreza no país. "Kamala, mentem para você", dizia um dos papéis.

O direitista Giammattei, que criticou um suposto viés de esquerda nas decisões do promotor contra a impunidade, declarou que seu governo mostra sua vontade anticorrupção com atos, "e não erguendo trincheiras ideológicas, porque a fome não tem ideologia".


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