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Estado de Minas MANÁGUA

Cristiana Chamorro, principal adversária de Ortega, está em prisão domiciliar na Nicarágua


02/06/2021 21:35 - atualizado 02/06/2021 21:39

A opositora nicaraguense Cristiana Chamorro, principal rival do atual presidente Daniel Ortega nas próximas eleições presidenciais, estava em prisão domiciliar nesta quarta-feira (2), após uma acusação de lavagem de dinheiro feita pelo governo que gerou condenação internacional.

"Depois de mais de cinco horas de batidas policiais na casa de minha irmã Cristiana Chamorro, candidata presidencial, às 17h15 [20h15 no horário de Brasília] a tropa de choque a deixaram em 'prisão domiciliar', em isolamento. Sua casa ainda está ocupada pela polícia", escreveu Carlos Fernando Chamorro no Twitter.

Um tribunal de Manágua emitiu um mandado de busca e prisão contra Chamorro, acusada de "gestão abusiva, falsidade ideológica com o crime de lavagem de dinheiro, bens e ativos, em detrimento do Estado da Nicarágua e da sociedade nicaraguense".

Os agentes entraram violentamente na residência de Chamorro, no sudeste de Manágua, onde ela se preparava para dar uma entrevista coletiva após a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP), informou Arelia Barba, assessora de Cristiana, à AFP.

Chamorro, 67 anos, declarou publicamente sua intenção de representar a oposição como única candidata para as eleições de 7 de novembro. Pesquisas recentes a colocam como a candidata com maior apoio popular, depois de Ortega.

O atual presidente, no poder desde 2007, ainda não confirmou participação nas eleições, mas seus adversários acreditam que Ortega buscará um quarto mandato consecutivo.

Violeta Barrios de Chamorro, mãe de Cristina, derrotou em 1990 Daniel Ortega nas urnas, quando ele tentou a reeleição após o primeiro mandato (1985-1990).

- Excluir "os endinheirados" -

A ordem de detenção foi emitida pela juíza Karen Chavarría, do 9º Distrito Penal, onde o MP apresentou a acusação na noite de terça-feira, segundo o comunicado.

O Ministério Público começou a investigar Chamorro em 20 de maio depois que o ministério do Interior a acusou surpreendentemente por supostas irregularidades na administração da fundação que leva o nome de sua mãe (FVBCH), uma organização dedicada à defesa da liberdade de expressão.

Chamorro rejeitou essas acusações, que considera uma "farsa" para impedir sua participação nas eleições, já que a lei nicaraguense impede que pessoas com processo penal aberto concorram a cargos públicos.

A vice-presidente e primeira-dama, Rosario Murillo, sem se referir ao julgamento contra Chamorro, disse que "a opção preferencial deste governo é sair da pobreza" e que "os endinheirados não podem voltar" a governar o país.

- Atentado contra a democracia -

A secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) rejeitou nesta quarta-feira a "desqualificação política" de Chamorro, que chamou de "um ataque à democracia" e alertou que a Nicarágua caminha para as "piores eleições possíveis".

"Ações como esta subtraem toda a credibilidade política do governo e dos organizadores do processo eleitoral", acrescentou em seu comunicado.

O eurodeputado espanhol José Ramón Bauza descreveu a ação contra Chamorro como um "ataque gravíssimo à democracia" e pediu a Josep Borrell, representante da União Europeia para Relações Exteriores, que o bloco aplique sanções imediatas contra o governo Ortega.

"Proibir arbitrariamente a líder da oposição Cristiana Chamorro reflete o medo de Ortega de eleições livres e justas. Os nicaraguenses merecem uma democracia real", disse no Twitter o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.

- Caçada -

O bloco de oposição, denominado Coalizão Nacional (CN), em nota acusou Ortega de "desencadear uma caçada" aos candidatos por "temer enfrentar um processo livre, transparente e observado".

Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral, formado por magistrados indicados pelo partido da situação Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), excluiu da disputa o Partido da Restauração Democrática (PRD-evangélico) e o Partido Conservador (PC-direita), o mais antigo do país.

"É possível que depois de Cristiana haja outras inibições contra mais candidatos, já que Ortega quer tirar do jogo aqueles adversários que representam o maior desafio ao seu plano de se perpetuar no poder", alertou o possível candidato presidencial da oposição Félix Maradiaga na terça-feira.

As inscrições de candidatos a presidente, vice-presidente e deputado ocorrerão entre 28 de julho e 2 de agosto. Os oponentes consideram a candidatura de Ortega como uma certeza.

O presidente de 75 anos enfrenta uma crise política desde 2018, desencadeada por protestos massivos contra algumas medidas de seu governo e que geraram pedidos de renúncia. Essas manifestações deixaram 328 mortos e milhares de exilados, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Estes fatos renderam sanções dos Estados Unidos.

Para Ortega, tratou-se de uma tentativa fracassada de golpe apoiada por Washington.


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