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Estado de Minas BOGOTÁ

Manifestantes anunciam intenção de suspender bloqueios viários na Colômbia


01/06/2021 16:06

A frente mais conhecida dos protestos na Colômbia anunciou nesta terça-feira (1º) que vai encerrar os bloqueios nas estradas, em meio às negociações com o governo em busca de uma saída da crise social que deixa 59 mortes em um mês.

Fabio Arias, um dos representantes do Comitê de Paralisação, que reúne sindicalistas, estudantes e professores, afirmou que "abordagens estão sendo analisadas para levantar esses bloqueios".

Por outro lado, enfatizou que a organização não dá "ordens", mas envia "sinais" às comunidades que decidiram de forma autônoma fechar as rodovias como forma de protesto contra o governo.

Apesar de ser o coletivo mais conhecido, o comitê não reúne todos os setores indignados com a gestão do impopular presidente Iván Duque. No entanto, um eventual acordo com essa organização é visto como um passo importante para acabar com a crise.

A equipe oficial que negocia com os manifestantes elogiou o anúncio.

"Os avanços para que se levantem os bloqueios são muito importantes para os colombianos", expressou o conselheiro presidencial Emilio Archila.

O Ministério da Defesa informou que até o momento há 68 bloqueios de estradas em vários pontos do território, enquanto a força pública conseguiu abrir centenas de rodovias onde os manifestantes impediam a passagem.

"A juventude de Cali diz que as pessoas do Comitê de Paralisação não nos representam. Não nos rendemos e não vamos parar até que o fogo acabe", expressou à W Radio Andrés Velásquez, líder de um bloqueio na cidade de Cali, epicentro dos protestos, após saber do pedido de um dos porta-vozes do comitê.

O fim dos bloqueios rodoviários é uma das condições impostas pelo governo para avançar em eventuais negociações com o Comitê de Paralisação.

O governo alega que essas ações não são legítimas e estão afundando ainda mais a economia, fortemente prejudicada pela pandemia. Também atribui aos bloqueios a morte de dois bebês que ficaram presos em ambulâncias.

Os manifestantes exigem uma condenação explícita do governo à repressão policial e "garantias para o protesto".

As partes estão reunidas nesta terça-feira em Bogotá, tentando alcançar um acordo que possibilite negociações sobre reformas que aliviem a grave deterioração social levada pelo coronavírus.

A crise social na Colômbia, desencadeada após um projeto de reforma tributária que o governo do conservador Iván Duque já revogou, deixa ao menos 59 mortos, entre eles dois policiais, mais de 2.300 feridos e 111 desaparecidos, segundo dados oficiais.


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