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Estado de Minas LIMA

Último debate presidencial no Peru tem troca de acusações


31/05/2021 06:44

A candidata de direita à Presidência do Peru, Keiko Fujimori, exibiu uma pedra no domingo (30) e acusou o adversário, o candidato de esquerda Pedro Castillo, de promover a violência na campanha eleitoral, no último debate antes do segundo turno de 6 de junho.

Castillo criticou a rival e afirmou que, no Peru, a corrupção é "sinônimo de fujimorismo". Disse ainda que ela deveria pedir perdão às milhares de mulheres pobres que foram submetidas a esterilizações forçadas durante o governo de seu pai, Alberto Fujimori (1990-2000).

"Gostaria que minha oponente pedisse perdão, pela primeira vez na história, às mulheres que foram esterilizadas", afirmou o esquerdista, depois que Keiko solicitou mais respeito às mulheres.

"Isto está sendo investigado, e o Poder Judiciário determinará se houve alguma responsabilidade individual. Por favor senhor Castillo, não minta e deixe de falar pedras, ou atirar pedras", respondeu Keiko ao insistir em que, no caso das esterilizações, não existiu uma "política de Estado".

Quase 270.000 peruanas pobres, muitas delas indígenas que não dominavam o espanhol, foram submetidas a cirurgias para ligar as trompas, como parte do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva e Planejamento Familiar organizado nos últimos quatro anos de Alberto Fujimori no poder.

Iniciado há mais de duas décadas e reaberto recentemente, o processo tem 2.074 vítimas demandantes e entre os acusados estão o ex-presidente, três ex-ministros da Saúde e outros ex-funcionários.

O debate de quase duas horas aconteceu na Universidade Nacional San Agustín na cidade andina de Arequipa, a segunda maior do Peru.

"Venho com as mãos limpas, sou um homem de trabalho, um homem de fé, um homem de esperança. Mentira é o que dizem que vamos tirar sua casa, sua propriedade", afirmou Castillo.

"Venho propor uma mudança, uma mudança com esperança, uma mudança para frente", afirmou Keiko, que insistiu em acusar o rival de atiçar a violência na campanha eleitoral.

- "Investimento" -

Castillo prometeu estimular a criação de um milhão de empregos em um ano e negou a intenção de confiscar os fundos de pensão dos trabalhadores, proibir as importações, ou impedir o investimento estrangeiro, como afirmam seus críticos.

"Nós não vamos tirar a poupança das pessoas que trabalham, respeitaremos a propriedade privada", afirmou.

"Bem-vindo o investimento privado, mas com regras claras", completou.

Keiko, que tem o apoio do setor empresarial, anunciou "créditos para pequenos empresários" e afirmou que, se conquistar a Presidência, o governo vai declarar emergência no setor de turismo, o mais afetado pela pandemia no Peru.

- Corrupção -

Keiko afirmou que, para combater a corrupção, fortalecerá a "Controladoria com mais orçamento e com um controle concomitante", prometeu criar um alto comissariado para avaliar e fazer propostas, além de supervisionar o presidente e funcionários.

Ela admitiu que houve corrupção no governo de seu pai, assim como nos governos anteriores e posteriores.

Castillo afirmou que a corrupção "é sinônimo do fujimorismo", ao destacar que Keiko é acusada pelo MP de ser a "chefe de uma rede criminosa" no âmbito do escândalo da empresa brasileira Odebrecht, que também afetou quatro ex-presidentes peruanos.

"Para falar de corrupção, é necessário ter um pouquinho de moral", disse o candidato de esquerda, que prometeu renunciar ao salário de presidente em caso de vitória para continuar recebendo o salário de professor.

Castillo tem 42% das intenções de voto, e Keiko Fujimori, 40%, segundo uma pesquisa do instituto de Ipsos publicada no domingo pelo jornal El Comercio.

O próximo presidente deve assumir o poder em 28 de julho para substituir o presidente interino, Francisco Sagasti.

No primeiro turno de 11 de abril, que teve o recorde de 18 candidatos, Castillo recebeu 18,92% dos votos, e Keiko, 13,40%.


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