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Estado de Minas WASHINGTON

EUA se despede do Tratado de Céus Abertos com a Rússia


28/05/2021 17:22 - atualizado 28/05/2021 17:26

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que retomou os acordos internacionais dos quais Donald Trump havia se retirado, decidiu não retornar ao Tratado de Céus Abertos para mostrar firmeza diante da Rússia após vários gestos de abertura.

Esse tratado, adotado no período Pós-Guerra Fria, foi concebido para permitir que as duas potências e seus aliados vigiassem, mutuamente, seus espaços aéreos.

Trump retirou os Estados Unidos do pacto em novembro, alegando transgressões por parte da Rússia.

"Os Estados Unidos lamentam que o Tratado de Céus Abertos tenha sido minado pelas violações da Rússia", disse hoje um porta-voz do Departamento de Estado.

"Em consequência, ao concluir a revisão do tratado, os Estados Unidos não têm a intenção de voltar a reintegrá-lo, dado o descumprimento da Rússia de suas obrigações", acrescentou.

A Rússia anunciou em meados de janeiro sua intenção de abandonar o tratado, decisão que foi ratificada por seu Parlamento em 19 de maio.

O governo do presidente Vladimir Putin disse, no entanto, estar disposto a rever sua posição, se os Estados Unidos oferecessem uma "solução construtiva".

O tratado foi assinado em 1992, logo após o fim da então União Soviética, e entrou em vigor em 2002.

Este acordo permitiu que seus 35 signatários fizessem voos de curta duração sobre o território dos demais para monitorar possíveis operações militares. Entre seus países-membros, estão vários da Europa, ex-repúblicas soviéticas e do Canadá.

Em sua campanha eleitoral, o democrata Biden criticou a atitude de seu rival republicano e então presidente Donald Trump por retirar os Estados Unidos de instituições ou acordos multilaterais.

Embora admitindo uma "real preocupação" com as "violações" do pacto pela Rússia, em maio de 2020 Biden disse que a solução não era virar as costas, "mas buscar resolvê-las por meio do mecanismo de solução de disputas".

O presidente destacava que "a transparência proporcionada" pelo tratado é "particularmente importante para os países que não têm capacidade própria para obter imagens de satélite" e apontava que os aliados de Washington eram contrários à saída dos Estados Unidos.

"A retirada vai exacerbar as tensões entre o Ocidente e a Rússia e aumentará os riscos mal calculados e conflitos", alertou na época.

- Oscilações -

Após entrar na Casa Branca em janeiro, Biden colocou os Estados Unidos de volta ao Acordo Climático de Paris e à Organização Mundial da Saúde e também se envolveu em difíceis negociações para retornar ao acordo nuclear com o Irã.

No início de seu mandato, ele chegou a um acordo com Putin para estender por cinco anos o tratado de limitação de armas nucleares New Start.

Porém, no Tratado de Céus Abertos, seu governo permaneceu discreto até anunciar no início de maio que havia começado a reexaminar a retirada do país.

A decisão final de fechar as portas deixa o New Start como o único grande acordo de segurança em vigor entre as duas potências nucleares.

Biden mostrou firmeza com a Rússia ao reforçar sanções ou ameaças de retaliação contra ações de Moscou consideradas "nefastas" (como ciberataques, destacamentos militares perto da Ucrânia e interferência eleitoral), mas também afirma ter encontrado um campo de entendimento em questões relacionadas à segurança internacional.

O presidente dos Estados Unidos, no entanto, recebeu críticas da oposição republicana e até de membros de seu Partido Democrata por ter renunciado às sanções contra o controverso oleoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha.

O clima foi pacífico quando o chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, e seu homólogo russo, Sergey Lavrov, se encontraram na semana passada na Islândia.

Sempre oscilando, as relações russo-americanas estão em seu nível mais baixo desde o fim da Guerra Fria e agora Washington quer passar uma mensagem firme.

"A conduta da Rússia, incluindo suas ações recentes em relação à Ucrânia, não é a de um parceiro comprometido a gerar confiança", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado.


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