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Estado de Minas PARIS

Fungos ajudaram as plantas a conquistar terras emergentes


27/05/2021 10:37

As redes de fungos subterrâneas têm sido aliadas fundamentais das plantas desde que conquistaram as terras emergidas há 450 milhões de anos - confirmou um estudo científico recente.

Sob a direção do Laboratório de Pesquisa em Ciências Vegetais (LRSV) de Toulouse, na França, uma equipe internacional de pesquisadores descobriu o elo que faltava em uma teoria desenvolvida na década de 1980.

Essa teoria argumenta que o ancestral de todas as plantas terrestres existentes, sem dúvida uma alga que saiu da água doce há cerca de 450 milhões de anos, viveu em simbiose com fungos minúsculos para se desenvolver na terra.

Hoje, cerca de 80% das plantas terrestres usam essa simbiose, de forma que um fungo subterrâneo "é realmente uma extensão da planta", explica à AFP Pierre-Marc Delaux, pesquisador do LRSV e coautor do estudo publicado na semana passada na revista Science e assinado também por sua colega Melanie Rich.

O micélio do fungo, ou seja, seu aparato vegetativo, é composto por um grande número de minúsculos filamentos brancos, que se estendem como uma rede até o subsolo.

Intimamente ligadas às raízes da planta, suas extremidades microscópicas lhe fornecem, principalmente, água, nitrogênio e fosfatos.

Em contrapartida, a planta alimenta o fungo com lipídios, matéria gordurosa essencial para o seu desenvolvimento.

- Cabeleira tentacular -

"Se um dos dois parceiros para de alimentar o outro, as trocas cessam nas duas direções", e todos sofrem, explica Delaux.

Os fungos dependem "100% das plantas para seu desenvolvimento", enquanto as plantas, que se beneficiam de um ecossistema rico, "sofrerão muito mais em um solo pobre".

As consequências de interromper a simbiose vão além, contudo, já que o micélio do fungo se espalha como um fio de cabelo tentacular.

"Os fungos estão ligados a centenas, ou mesmo a milhares, de plantas ao mesmo tempo", segundo Delaux, que destaca estudos "convincentes" sobre o papel que desempenham na distribuição de recursos neste ecossistema.

O estudo também corroborou a existência de um gene "simbiótico", conhecido por sua função de transferir o lipídio da planta para o fungo, e que estaria presente desde que as primeiras surgiram, há 450 milhões de anos.

Esse mecanismo já havia sido identificado em plantas vasculares, ou seja, com caules e raízes, e agora foi detectado em plantas não vasculares, como musgos.

Para chegar às suas conclusões, a equipe do LRSV trabalhou com uma grande equipe de pesquisadores das universidades europeias de Colônia, Zurique, Leiden e Cambrigde, entre outras, bem como da Universidade de Sendai, no Japão.

A pesquisa do Laboratório se voltará, agora, para outro tipo de simbiose, informa Mélanie Rich. É o que ocorre entre as plantas e as "bactérias fixadoras de nitrogênio, que permitem recuperar o nitrogênio atmosférico e fertilizar as plantas com as quais coabitam".

Essa simbiose existe, por exemplo, em plantas leguminosas, como lentilhas. Os pesquisadores esperam "recriá-la em plantas de interesse agronômico como trigo, milho e arroz" e, "assim, contribuir para a transição da agricultura intensiva que empobrece os solos para uma agricultura mais sustentável", segundo a pesquisadora.

Dominar essa simbiose permitirá limitar o uso massivo de sementes nitrogenadas nos países ricos e, ao mesmo tempo, aliviar sua ausência nos mais pobres, especialmente na África e no Sudeste Asiático.


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