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Estado de Minas FRANKFURT

Começa julgamento de militar alemão que fingiu ser refugiado e planejava atentado


20/05/2021 11:32

Um oficial do Exército alemão que se fez passar por refugiado sírio e que, aparentemente, preparava um ataque compareceu nesta quinta-feira (20) perante a Justiça, em um caso que expôs a extrema direita.

De ideologia "nacional-socialista", segundo a acusação, Franco Albrecht, de 32 anos, é suspeito de ter preparado em 2017 "um ato de violência grave contra a segurança do Estado".

Este promissor tenente da base franco-alemã em Illkirch, no leste da França, tinha um arsenal de quatro armas de fogo, mais de 1.000 munições e 50 dispositivos explosivos roubados das Forças Armadas (Bundeswehr).

Também vivia com uma dupla identidade: conseguiu se registrar como solicitante de asilo sírio para, segundo ele, testar o sistema e revelar suas falhas.

Seu julgamento começou nesta quinta-feira em um tribunal de Frankfurt e vai até agosto. O acusado pode pegar até dez anos de prisão.

Ao chegar ao tribunal, o ex-militar voltou a negar as acusações: "Nunca planejei nenhuma ação em detrimento de ninguém", declarou à imprensa, acrescentando que não é de extrema direita.

Este filho de imigrante italiano não esconde, porém, suas opiniões extremistas, ou sua oposição à imigração. "Mein Kampf", o manifesto racista e antissemita de Adolf Hitler, estava entre as obras de sua biblioteca.

Ele diz que criou uma identidade fictícia de refugiado para mostrar que o conceito de asilo foi distorcido, segundo ele, após a chegada à Alemanha de centenas de milhares de migrantes em 2015 e 2016. Muitos fugiam da guerra na Síria.

Em 2015, com o rosto maquiado, conseguiu apresentar um pedido de asilo com um nome falso, David Benjamin. Em um inglês rudimentar, explicou aos serviços de imigração que não havia aprendido árabe, porque estudou em um centro de francês perto de Damasco.

Ele até recebeu cerca de 400 euros por mês em ajuda e conseguiu uma vaga em um abrigo para refugiados. Mas seguiu como soldado no quartel Illkirch, sob sua verdadeira identidade.

"Queria verificar pessoalmente até que ponto as autoridades alemãs distorceram o conceito de asilo, em detrimento da segurança", disse ao jornal Le Figaro em março.

"Eu sabia que o que estava fazendo não estava de acordo com a lei", admitiu.

Ele garantiu, no entanto, que não tinha intenções violentas e estava se preparando para "proteger (sua) família em uma emergência".

A Promotoria duvida disso. O réu "planejou cometer um ataque contra altos funcionários políticos e figuras públicas", passando-se por refugiado, informou o Tribunal Federal de Justiça de Karslruhe, competente para casos de terrorismo.

De acordo com esta instância, ele queria responsabilizar os migrantes por sua ação, a fim de aprofundar a divisão na sociedade alemã.

Entre seus possíveis alvos, segundo a acusação, estavam o então ministro da Justiça e agora chefe das Relações Exteriores, Heiko Maas, a vice-presidente do Bundestag, Claudia Roth, e uma ativista dos direitos humanos.

A prisão de Franco Albrecht ocorreu no início de 2017, quando ele tentava recuperar uma pistola que havia escondido em um banheiro no aeroporto de Viena, na Áustria.

O escândalo revelou os problemas de gestão no acolhimento de refugiados na Alemanha, apesar de as autoridades sempre terem assegurado que controlam rigorosamente os procedimentos de asilo.

O Exército alemão também foi acusado de não combater a deriva da extrema direita entre suas tropas.

Mensagens xenófobas foram encontradas em seu telefone celular e em um jornal universitário que ele havia escrito, repleto de comentários nacionalistas e extremistas.

O caso levou a então ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, atual presidente da Comissão Europeia, a endurecer o tom em relação às Forças Armadas.

Em junho de 2020, o KSK, um comando de elite do Exército, foi desfeito, porque cerca de 20 de seus membros eram suspeitos de pertencer ao movimento neonazista.


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