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Estado de Minas BOMBARDEIO

Israel destrói prédio da imprensa em Gaza; EUA tentam mediar conflito

Segundo o dono da edificação, militares israelenses telefonaram para avisar que um ataque ocorreria dentro de uma hora; Associated Press diz estar 'em choque'


15/05/2021 19:00 - atualizado 15/05/2021 20:59

Composto de 13 andares, Jala Tower, edifício em em Gaza, era usado por veículos de imprensa(foto: MAHMUD HAMS / AFP )
Composto de 13 andares, Jala Tower, edifício em em Gaza, era usado por veículos de imprensa (foto: MAHMUD HAMS / AFP )
A comunidade internacional expressou sua profunda preocupação neste sábado (15), após os bombardeios israelenses em Gaza que destruíram escritórios da mídia internacional, matando oito menores, e o lançamento de foguetes do enclave palestino em direção a Israel, que deixou um morto.

Em Gaza, o prédio de 13 andares que abrigava os escritórios da rede Al Jazeera, do Catar, e da agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) foi pulverizado por vários mísseis, segundo jornalistas da AFP. O exército israelense havia solicitado momentos antes que o prédio fosse evacuado.

Em nota, as Forças Armadas israelenses confirmaram que seus caças "atacaram um prédio que abrigava alvos militares, pertencente à inteligência militar da organização terrorista Hamas".

Segundo o comunicado, o Hamas "esconde e usa como escudo humano" meios de comunicação que funcionavam no edifício.

Foi isso que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante uma conversa por telefone.

De acordo com um comunicado de seus serviços, Netanyahu insistiu que havia "alvos terroristas" no prédio e que antes do bombardeio o edifício havia sido evacuado.

Anteriormente, a porta-voz da Casa Branca Jen Psaki destacou em um tweet que a segurança da mídia era de "importância fundamental".

AP "chocada e horrorizada"

"É horrível, muito triste, ter como alvo o escritório da Al Jazeera e as assessorias de imprensa", declarou Wael Aldahdouh, chefe da redação da estação do Catar, à AFP.

"O mundo ficará menos informado sobre o que está acontecendo em Gaza por causa do que aconteceu hoje", lamentou o chefe da AP, Gary Pruitt, cuja agência se declarou "chocada e horrorizada" com o ataque.

Por sua vez, a AFP expressou sua "solidariedade" com "colegas da Associated Press e da Al Jazeera". "Estamos profundamente chocados com o fato de que os escritórios da mídia estão sendo atacados dessa forma", disse o diretor de informação da agência, Phil Chetwynd.

Em 2012, o prédio que abrigava o escritório da AFP em Gaza foi atingido por mísseis israelenses, mas os jornalistas presentes - três andares abaixo do impacto - saíram ilesos.

Pela primeira vez desde que chegou à Casa Branca em janeiro, o presidente dos Estados Unidos também falou com seu homólogo palestino, Mahmoud Abbas, baseado na Cisjordânia ocupada, que lhe pediu que interviesse para impedir "os ataques israelenses".

Biden "ressaltou a necessidade de o Hamas parar de disparar foguetes contra Israel", segundo nota da Casa Branca.

Enquanto isso, o chefe de assuntos israelenses e palestinos do Departamento de Estado dos EUA, Hady Amr, deve se encontrar com líderes israelenses em Jerusalém no domingo e visitar a Cisjordânia para se reunir com autoridades palestinas. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU voltará a se reunir.

Na noite deste sábado, o ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, recebeu o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, e instou a comunidade internacional a agir contra os "ataques brutais" de Israel em Gaza, segundo um comunicado.

Embora os esforços diplomáticos tenham sido intensificados para encerrar cinco dias de combates violentos, cerca de 300 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra Israel na noite de sexta-feira, de acordo com o exército israelense.

Um israelense de 50 anos foi atingido por esses disparos nos arredores de Tel Aviv enquanto dirigia, informou a polícia e os serviços médicos israelenses.

O Hamas afirmou ter disparado a salva de foguetes contra o centro de Israel para vingar um bombardeio israelente "contra mulheres e crianças".

Dez palestinos da mesma família, incluindo duas mulheres e oito crianças, foram mortos ao amanhecer no ataque ao campo de refugiados de Al Shati, na cidade de Gaza.

À medida que a situação piorava, o Egito abriu neste sábado sua fronteira terrestre com Gaza, a passagem de Rafah, e enviou dez ambulâncias ao enclave para evacuar os palestinos feridos.

"Nakba"

Desde segunda-feira, pelo menos 145 palestinos perderam a vida, incluindo 41 menores, e 1.100 ficaram feridos, de acordo com o último balanço das autoridades palestinas.

Esta operação israelense é a mais importante desde a guerra de 2014 com o movimento islâmico em Gaza, e foi lançada depois que o Hamas disparou uma enxurrada de foguetes contra Israel como uma demonstração de sua "solidariedade" com o levante palestino na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental.

Desde então, mais de 2.300 foguetes foram disparados da Faixa de Gaza contra Israel, matando 10 pessoas, incluindo um menor e um soldado, e ferindo 560.

De acordo com os militares, o escudo antimísseis "Cúpula de Ferro" interceptou mais da metade dos projéteis.

Neste sábado, as autoridades israelenses permanecem em alerta, com novas manifestações planejadas na Cisjordânia ocupada.

Os palestinos relembram o Nakba a cada 15 de maio, uma "catástrofe" representada para eles pela criação de Israel em 1948. Todos os anos há altercações violentas com o exército e os colonos israelenses.

Além disso, em seu território, Israel também enfrenta uma escalada sem precedentes de violência intercomunitária em suas cidades "mistas", onde judeus e palestinos com cidadania israelense coexistem, especialmente em Lod (centro), Jaffa perto de Tel Aviv e Acre, no Norte do país.

E na fronteira com o Líbano ocorreram vários incidentes, incluindo uma tentativa de infiltração de manifestantes libaneses, segundo o exército.

Por sua vez, o rei Abdullah II da Jordânia disse temer que a atitude de Israel em relação aos palestinos promova o "extremismo" e acabe desestabilizando a região.


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