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Estado de Minas TEMUCO

Candidatos indígenas querem um Chile plurinacional e reconhecimento de suas terras


14/05/2021 14:16

Os indígenas chilenos querem ser reconhecidos, mas não apenas a partir de uma simples menção na nova Constituição que será escrita neste fim de semana pelos 155 constituintes eleitos, mas por direitos sobre suas terras assegurados e participação nas decisões políticas.

Pela primeira vez na história do Chile, os povos indígenas - que representam 12,8% dos 19 milhões de habitantes do país - participarão da elaboração de uma nova Constituição, com 17 cadeiras reservadas.

"As cadeiras reservadas são uma medida de inclusão política indígena de uma transcendência que poucos perceberam. E que sim ou sim devem aumentar no Congresso Nacional e nos governos locais. É mais um desafio futuro para as primeiras nações", escreveu no Twitter, a horas da eleição, o jornalista e escritor Pedro Cayuqueo, candidato a constituinte na região de Valparaíso.

Serão sete cadeiras para o povo mapuche - os mais numerosos -, duas para os aimará e uma para cada um dos diaguita, quechua, atacameño, colla, yagán, kawésqar, chango e rapa nui.

Ana Llao, da liderança mapuche e candidata constituinte, defende a recuperação dos "direitos coletivos" de todas as etnias, como afirmou à AFP em Temuco, capital da região de Araucanía, no sul do Chile, que concentra o maior número de comunidades mapuches.

"Estamos falando dos povos originários, e em particular do povo mapuche, de poder exercer nossa autonomia e nossa autodeterminação, nossa livre escolha em cada um de nossos territórios; esses são os direitos políticos que devem ser consagrados com bastante clareza dentro desta nova Constituição política plurinacional", explicou.

- Sul rico, mas com população pobre -

Esta região concentra mais de 90% da indústria madeireira do Chile, possui grandes reservas de água doce, é rica em recursos naturais, com um setor agrícola dinâmico. A maioria das empresas são propriedade de famílias ou grupos que formam a chamada pequena elite econômica chilena.

Mas como um claro reflexo da desigualdade que frustra a população, a pobreza aqui é duas vezes maior que a do resto do país.

Benito Cumilaf, candidato constituinte em Temuco, comentou com a AFP que sua abordagem é o "direito à própria educação, o direito à terra e ao território".

Também "um reconhecimento constitucional inicial, mas que vincule a territorialidade, que não seja um reconhecimento da boca para fora, mas caso reconheçamos algo, no caso Mapuche, que seja esse povo com territórios".

Quando os conquistadores espanhóis chegaram ao Chile, as terras dos mapuches se estendiam desde a fronteira estabelecida pelo rio Biobío até cerca de 500 quilômetros ao sul.

A partir de 1860, depois de vários conflitos com os governos, seus territórios foram significativamente reduzidos. O último grande revés para o movimento indígena chileno ocorreu durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), quando as terras recuperadas com a reforma agrária do ex-presidente socialista deposto, Salvador Allende (1971-1973), foram retiradas dos mapuches.

Hoje, estima-se que os mapuches possuam apenas 5% de suas antigas terras.

No norte do país, as comunidades menores Quechua e Aymara que vivem no deserto do Atacama, área que são grandes depósitos de cobre, lítio e outros minerais, tiveram que ceder a políticas de integração muito específicas implementadas nesta região disputada pelo Estado chileno com o Peru e a Bolívia, na guerra travada no final do século 19.


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