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Estado de Minas MANÁGUA

Partido de Ortega e oposição inscrevem alianças para disputar eleições na Nicarágua


12/05/2021 21:41 - atualizado 12/05/2021 21:43

O partido do governo de Daniel Ortega e a oposição nicaraguense inscreveram nesta quarta-feira (12) suas respectivas alianças para disputar eleições legislativas e presidenciais em novembro, informaram fontes políticas.

A governista Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, esquerda) liderará a aliança Unida Nicarágua Triunfa, com nove partidos e 10 movimentos sociais e políticos, anunciou o representante legal da FSLN, Edwin Castro.

"Há uma gama (de setores na aliança) que temos em comum o amor pela Nicarágua", disse Castro, após apresentar a documentação no Conselho Supremo Eleitoral (CSE).

O deputado governista Wilfredo Navarro antecipou que a FSLN apoiará a reeleição presidencial de Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo.

O partido sandinista deverá formalizar sua chapa presidencial antes do início do período de inscrição de candidatos, previsto entre 28 de julho e 2 de agosto.

A oposição, por sua vez, inscreveu a Aliança Cidadãos pela Liberdade, que reúne setores de direita contrários ao atual governo, na qual não conseguiu incorporar outros grupos dissidentes que foram chave nos protestos de 2018, devido a fortes discrepâncias entre eles.

Esta coalizão será liderada pelo Partido dos Cidadãos pela Liberdade (CxL) e também será formada pelo Partido do Movimento da Unidade Costeña (PAMUC, indígena), anunciou à imprensa o vice-presidente do CxL, Oscar Sobalvarro.

O movimento conta também com o apoio da Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia (ACJD), que reúne acadêmicos e um setor de jovens que liderou os protestos de 2018 pedindo a renúncia do presidente Daniel Ortega, no poder desde 2007.

O segundo bloco da oposição, representado pela Coalizão Nacional (CN), recusou-se a se juntar à Aliança Cidadãos pela Liberdade, devido a fortes discrepâncias que surgiram nos últimos dias em relação à distribuição de cargos eleitos pelo povo e disputas por representação legal.

- Unidade ainda possível -

Um dos pré-candidatos à Presidência da Aliança, o ex-embaixador e acadêmico Arturo Cruz, disse esperar que a coalizão possa somar o restante da oposição ao longo do processo eleitoral.

"A unificação será mais difícil, mas não impossível, ainda há coisas que podem ser feitas", disse à AFP o analista e ex-deputado opositor Eliseo Núñez.

Segundo ele, existe a possibilidade de que os dois blocos negociem um candidato presidencial único ou que integrem um grupo único.

A CN, formada há mais de um ano com uma dezena de movimentos que participaram dos protestos de 2018, não poderá inscrever uma aliança eleitoral própria porque a lei exige que as coalizões sejam integradas por pelo menos dois partidos com pessoa jurídica.

Apenas o Partido de Restauração Democrática (PRD, evangélico) está nesta situação.

Os dois blocos de oposição se culparam por dificultar a formação de uma grande aliança eleitoral para enfrentar a governista FSLN, de esquerda.

"É lamentável e dói" esta divisão, expressou o representante do PRD, Julio González.

"Tínhamos esperança de que se pudesse fazer uma aliança" com o outro bloco, lamentou a presidente do CxL, Kitty Monterrey, que destacou que seu grupo "tem as portas abertas" a todos os setores da oposição que desejam se retirar Ortega do poder.

A Nicarágua realizará eleições legislativas e presidenciais em 7 de novembro sob uma questionada reforma da lei eleitoral que limita a participação de opositores e deixa o controle do Conselho Supremo Eleitoral nas mãos do partido no poder.

Esta "reforma eleitoral descumpre os padrões democráticos necessários para garantir que estas eleições sejam livres, justas e transparentes", afirmou o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, durante uma sessão virtual celebrada nesta quarta-feira sobre a Nicarágua.

A falta de garantias motivou o Partido Conservador (PC, direita) a desistir de formalizar a aliança Unidade Republicana (Unir), que pretendia liderar as eleições.

"O Partido Conservador não se prestará a legitimar uma fraude que se encaminha em 7 de novembro", disse o presidente do grupo, Alfredo César, em coletiva de imprensa.


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