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Estado de Minas LISBOA

Portugal apoia Argentina nas negociações sobre pagamento da dívida ao FMI


10/05/2021 16:25 - atualizado 10/05/2021 16:26

Portugal comprometeu-se a apoiar a Argentina nos seus esforços para renegociar o pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), informou o governo português após encontro com o presidente Alberto Fernández, na primeira fase da sua visita à Europa.

"Expressei ao presidente Alberto Fernández todo o apoio de Portugal a esta questão", declarou o primeiro-ministro português, António Costa, em entrevista coletiva após reunião com o chefe de Estado argentino.

Recordando que Portugal também obteve em 2011 um empréstimo do FMI cujas taxas de juros foram aumentadas em função dos montantes dos fundos obtidos, Costa considerou que essas condições eram "muito duras".

"É hora de suspender pelo menos esse aumento para ajudar os países que têm que reduzir sua dívida e ao mesmo tempo lutar contra a covid-19", disse.

Por sua vez, o presidente argentino explicou que estava tentando "não só buscar um acordo entre o Fundo Monetário e a Argentina, mas fundamentalmente mudar algumas regras do sistema financeiro internacional, como o que significa essa sobretaxa".

"O que pedimos é um acordo que não condicione o futuro e o desenvolvimento da Argentina", acrescentou.

- "Apoio muito valioso" -

Esta viagem acontece três semanas depois da viagem europeia de seu ministro da Economia, Martín Guzmán, que disse à AFP em Paris que conseguiu "um apoio muito valioso" para falar sobre as negociações com o FMI.

A Argentina deve reembolsar nos próximos três anos quase todos os quase 45 bilhões de dólares que o FMI emprestou ao anterior governo liberal de direita de Mauricio Macri (2015-2019) para evitar em 2018 um colapso financeiro e um default dos principais títulos estatais em dólares.

Ele também deve enfrentar um vencimento de 2,4 bilhões de dólares este ano com o Clube de Paris.

O governo busca pactuar um programa de ampliação das facilidades de até 10 anos, com quatro de carência, para ressarcir o valor recebido pelo governo Macri.

Segundo Fernández, a dívida herdada de Macri é "impagável" para a Argentina, em recessão há três anos, situação afetada pela pandemia, que foi agravada nas últimas semanas por uma segunda onda de casos de covid-19.

Depois de Portugal, o presidente argentino, um peronista de 62 anos, vai viajar para Espanha, França e Itália. Em Madrid, terá um encontro com o rei Felipe VI e uma reunião de trabalho com o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez.

Na quarta-feira, em Paris, Fernández terá encontro com empresários pela manhã e será recebido no Palácio do Eliseu pelo presidente Emmanuel Macron.

No dia seguinte, em Roma, ele terá um encontro com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, e um encontro com o primeiro-ministro Mario Draghi.

Fernández também se encontrará com seu compatriota papa Francisco na Santa Sé.

Precisamente, a sua visita coincidirá na quinta-feira com a presença nos palácios vaticanos da diretora do FMI, Kristalina Georgieva, para um seminário internacional do qual participará Guzmán, membro da delegação presidencial.


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