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Estado de Minas JERUSALÉM

Confrontos entre policiais israelenses e manifestantes palestinos deixa mais de 180 feridos em Jerusalém


07/05/2021 22:28 - atualizado 07/05/2021 22:31

Mais de 175 palestinos e seis policiais ficaram feridos em confrontos ocorridos nesta sexta-feira, a maioria na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental ocupada. Em seu último balanço, o Crescente Vermelho palestino deu conta de 178 manifestantes feridos, enquanto a polícia israelense registrou seis em suas fileiras.

A calma retornou à noite a Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade ocupada por Israel em 1967 e posteriormente anexada. A Cidade Sagrada vive dias de tensão devido às manifestações de palestinos que acontecem há uma semana, contra os planos de expulsar famílias palestinas do bairro Sheikh Jarrah em benefício dos colonos israelenses. Além disso, a polícia matou dois palestinos e feriu gravemente um terceiro, depois que estes abriram fogo contra um posto de controle militar no norte da Cisjordânia.

O coordenador da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, disse estar "profundamente preocupado" com a situação e pediu "responsabilidade e calma". "Responsabilizamos Israel pelos acontecimentos perigosos na Cidade Velha", disse o presidente palestino, Mahmud Abas, que descreveu os palestinos reunidos na Esplanada das Mesquitas como "um povo heroico".

O movimento armado palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, convocou os palestinos a permanecerem na praça de sábado à noite até a manhã de quinta-feira, quando poderia terminar o ramadã. "A ocupação israelense deve se dar conta de que a resistência está preparada para defender Al-Aqsa a qualquer preço", afirmou.

Os partidos árabes israelenses pediram protestos nas cidades de Israel povoadas principalmente por árabes. A Jordânia, guardiã oficial dos locais muçulmanos sagrados em Jerusalém Oriental, denunciou o que chamou de "agressão selvagem" das forças de segurança israelenses.

- Incidentes na Esplanada -

A Esplanada das Mesquitas, chamada de Monte do Templo pelos judeus, é o terceiro lugar mais sagrado do islamismo e está localizada logo acima do Muro das Lamentações, local de oração mais importante para os judeus. Embora a tensão seja comum naquela parte da Cidade Velha de Jerusalém, não costuma haver violência dentro da Esplanada, que geralmente é monitorada à distância pela polícia israelense.

Esta sexta-feira, porém, era a última do mês de jejum do ramadã, por isso um grande número de muçulmanos se reuniu na famosa esplanada. Segundo a polícia israelense, "centenas de pessoas atiraram pedras, garrafas e outros objetos contra os policiais, que reagiram". O porta-voz Wassem Badr classificou o fato de "distúrbios violentos".

Manifestações contra a possibilidade de quatro famílias palestinas serem despejadas de suas casas no bairro de Shaykh Jarrah acontecem diariamente ao cair da noite. Os protestos de hoje naquela área resultaram em confrontos que deixaram quatro palestinos feridos, segundo o Crescente Vermelho.

A disputa gira em torno da propriedade de um terreno onde foram construídas várias casas onde vivem essas quatro famílias palestinas. O tribunal distrital de Jerusalém decidiu em favor das famílias judias que reivindicam a propriedade da terra.

Segundo a lei israelense, se os judeus puderem provar que sua família vivia em Jerusalém Oriental antes da guerra árabe-israelense de 1948, eles podem pedir que seus "direitos de propriedade" sejam restaurados - uma legislação que os palestinos contestam fortemente.

- Disparos contra militares -

No incidente no norte da Cisjordânia, "três terroristas atiraram na direção da base da guarda de fronteira em Salem", uma cidade palestina perto da cidade de Jenin, afirmou a polícia. As forças de segurança responderam com o uso de armas de fogo, segundo esta fonte.

Dois dos três agressores morreram, segundo fontes médicas. O terceiro está internado em um hospital israelense em "estado crítico", disse a polícia. No mesmo dia, um adolescente palestino de 16 anos foi morto por tiros do exército israelense, segundo fontes palestinas.

O ataque desta sexta-feira coincidiu com o "Dia de Al-Qods (Jerusalém em árabe)", celebrado anualmente nos países da região e, principalmente, no Irã, inimigo jurado de Israel, em apoio ao povo palestino.


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