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Estado de Minas LONDRES

Reino Unido vota em "superquinta" eleitoral crucial para os independentistas escoceses


06/05/2021 18:38 - atualizado 06/05/2021 18:43

Os britânicos foram às urnas nesta quinta-feira (6) para eleições complexas, as primeiras depois do Brexit e do início da pandemia, consideradas um teste para a unidade do país caso os independentistas escoceses consigam consolidar seu poder regional.

Em um dia chamado de "superquinta" pela grande quantidade de eleições acumuladas, em sua maioria adiadas do ano passado devido ao coronavírus, os locais de votação fecharam às 22h00 (17h00 de Brasília). Mas os resultados serão divulgados apenas na sexta-feira ou no fim de semana.

"Este é um grande dia", afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson em um vídeo publicado no Twitter, no qual pediu aos eleitores - residentes europeus incluídos nas eleições municipais - que compareçam às urnas e votem no Partido Conservador.

Quase 48 milhões de eleitores foram convocados para escolher 5.000 vereadores de 143 assembleias regionais na Inglaterra, o prefeito de Londres e os Parlamentos regionais de Gales e da Escócia.

Nesta última, região de 5,4 milhões de habitantes, os independentistas do Partido Nacionalista Escocês (SNP) da primeira-ministra Nicola Sturgeon, que governa em minoria, esperam obter um forte apoio para estimular sua reivindicação de um segundo referendo de autodeterminação.

No primeiro, em 2014, os eleitores votaram (55%) pela permanência no Reino Unido. Na época, o principal argumento contra a separação foi que a medida deixaria a Escócia fora da União Europeia (UE), mas dois anos depois o referendo sobre o Brexit virou a mesa e os escoceses acabaram fora do bloco, assim como o resto do país, apesar de terem rejeitado a iniciativa por 62%.

Sturgeon argumenta que o Brexit mudou a situação e, aproveitando a popularidade conquistada com sua boa gestão da pandemia - que contrasta com as políticas de Johnson -, espera reforçar sua posição para pressionar Londres.

- Testes para a esquerda e a direita -

"Realmente está no fio da navalha", tuitou Sturgeon, que pediu aos escoceses para votar no SNP "se desejam uma primeira-ministra com a força e a experiência necessárias para trabalhar imediatamente para retirar a Escócia da crise e levá-la à recuperação".

Caso os independentistas conquistem um grande apoio, a pressão vai aumentar para Johnson, um ferrenho opositor de outra consulta na Escócia.

"Vamos esperar e ver o que acontece realmente, mas acredito que muitas pessoas na Escócia e em todo o Reino Unido sentem que este não é o momento, quando estamos saindo de uma pandemia, de ter um segundo referendo irresponsável e insensato", disse o primeiro-ministro na quarta-feira.

As eleições locais representam um teste para Johnson e seu Partido Conservador, após a entrada efetiva em vigor do Brexit, com a saída do país do mercado único europeu e da união alfandegária em 1º de janeiro.

Também significam uma prova de fogo para o líder da oposição trabalhista, Keir Starmer, cujo partido enfrenta as urnas pela primeira vez desde que ele assumiu o comando da formação em abril de 2020, após a derrota histórica derrota de seu antecessor Jeremy Corbyn em 2019.

"Lutamos por cada voto", declarou Starmer, que prometeu recuperar a esquerda britânica, apesar das dificuldades. "Independente do resultado, assumirei a responsabilidade", disse.

Os trabalhistas parecem ter garantida a vitória na multiétnica e cosmopolita Londres, onde Sadiq Khan, de origem paquistanesa, primeiro prefeito muçulmano de uma capital ocidental, deve superar o rival conservador, o britânico de origem jamaicana Shaun Bailey.


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