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Estado de Minas PARIS

Na última década, floresta amazônica brasileira emitiu mais carbono do que absorveu


30/04/2021 12:43 - atualizado 30/04/2021 12:49

Vítima da mudança climática e da atividade humana, a floresta amazônica brasileira emitiu, na última década, mais carbono do que absorveu, uma inversão inédita - aponta estudo publicado esta semana.

Sem as florestas, que são como o "pulmão" do planeta ao absorverem entre 25% e 30% dos gases de efeito estufa emitidos pelo ser humano, o aquecimento global seria muito maior.

Há vários anos, porém, os cientistas temem que esse papel seja cada vez menor, devido à sua erosão, especialmente no caso da Amazônia, que representa a metade das florestas tropicais do mundo.

O estudo publicado na quinta-feira na revista Nature Climate Change analisou a região brasileira, que representa mais da metade do total da Amazônia.

Entre 2010 e 2019, as perdas de carbono foram 18% superiores aos ganhos, segundo os autores do estudo, entre eles o Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e o Meio Ambiente da França (INRAE).

"É a primeira vez que vejo números que mostram uma inversão e que a Amazônia brasileira é emissora" de carbono, disse à AFP Jean-Pierre Wigneron, pesquisador do INRAE.

No momento, "os outros países compensam" essas perdas e, portanto, "o conjunto da Amazônia ainda não sofreu essa mudança, mas poderia sofrer em breve", acrescentou Wigneron, que acredita que essas florestas tropicais são a "última salvação" do planeta.

O estudo destaca também como as degradações das florestas contribuem, em grande parte, para intensificar este fenômeno.

Ao contrário do desmatamento, que faz a floresta desaparecer, as degradações incluem tudo o que pode deteriorar a floresta sem destruí-la totalmente, como as árvores frágeis na fronteira em áreas desmatadas, pequenos incêndios, mortalidade de árvores devido à seca, entre outros.

Para quantificar este problema, os autores do estudo usaram um índice de vegetação obtido mediante observações por satélite que permitem sondar o conjunto da vegetação, e não somente os estratos superiores da floresta.

Eles concluíram que as degradações da floresta contribuíram em 73% para as perdas de carbono, contra 27% no caso do desmatamento, que, no entanto, é muito alto na Amazônia brasileira.


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