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Estado de Minas RIO DE JANEIRO

Brasil supera as 400.000 mortes por covid-19, sem luz no fim do túnel


29/04/2021 20:25

O Brasil superou a marca de 400 mil mortes por coronavírus nesta quinta-feira (29), sem ver uma luz no fim do túnel devido à lentidão da vacinação e devido a deficiências de gestão atribuídas por muitos especialistas ao governo de Jair Bolsonaro.

O Ministério da Saúde registrou 3.001 mortes nas últimas 24 horas, elevando o saldo para 401.186, superado apenas pelos Estados Unidos. O número total de infectados em quatorze meses da pandemia chega a 14,5 milhões no país, de 212 milhões de habitantes.

O número de mortes aumentou exponencialmente desde o início do ano: em cinco meses passou de 100.000 para 200.000 óbitos (em 7 de janeiro), mas levou apenas 77 dias para chegar a 300.000 (em 24 de março) e 37 dias para chegar a 400.000.

"Tivemos um impacto importante com as novas variantes", como a P1, explicou à AFP a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Mais contagiosa e suspeita de ser mais grave, essa variante surgiu na Amazônia, se espalhou pelo país e levou muitas nações a fecharem suas fronteiras com o Brasil.

O mês de abril bateu todos os recordes, com 79.671 mortes por covid-19 até o dia 29, superando o recorde anterior de março (66.673).

A segunda semana desse mês foi a mais devastadora, com mais de 4.000 mortes em 24 horas durante dois dias.

Uma CPI foi instaurada na semana passada no Senado para investigar a gestão da crise por Bolsonaro e seu governo, no qual quatro ministros da saúde se sucederam desde o início da pandemia.

Desde o primeiro caso de coronavírus identificado no Brasil em fevereiro de 2020, Bolsonaro se opõe às medidas de isolamento social, invocando seu impacto econômico negativo. Ele também rejeitou o uso de máscaras, questionou a eficácia das vacinas e defendeu remédios como a hidroxicloroquina, sem eficácia comprovada contra a doença.

Um dos principais focos da CPI será a tragédia de Manaus, capital do estado do Amazonas, onde a escassez de oxigênio causou a morte de dezenas de pacientes de covid em janeiro.

O ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que está emergindo como o principal adversário de Bolsonaro nas eleições de outubro de 2022, foi rápido em reagir contra o presidente de extrema direita.

"Hoje o Brasil bateu outro recorde infeliz (...). Os responsáveis por esse genocídio tem nome. Bolsonaro abriu a casa e recebeu a covid-19 com hospitalidade. Tratou o vírus como um aliado. E precisa pagar por ter atentado contra o povo brasileiro", escreveu Lula em sua conta no Twitter.

- "À mercê de novas ondas" -

A curva começou a se estabilizar após quatro meses de altas vertiginosas: a média de óbitos é de 2.526 nos últimos sete dias, depois de ter superado as 3.000 há duas semanas. No entanto, o platô se mantém em níveis muito elevados.

Outro sinal encorajador: a taxa de transmissão do vírus - ou seja, o número de pessoas infectadas para cada caso positivo - caiu para menos de 1 na terça-feira pela primeira vez em cinco meses, de acordo com dados do Imperial College de Londres.

Mas nada disso parece garantido.

"No Brasil, não há nenhuma coordenação nacional no combate à pandemia. Cada estado tomou medidas de restrição em março, quando a situação piorou, e vemos os resultados duas a três semanas depois", explica Maciel, que mostrou preocupação com uma nova flexibilização das medidas.

"Teria sido necessário manter (as medidas) por mais semanas para observar uma queda mais considerável nas curvas. Agora elas podem começar a subir novamente, e enquanto não tivermos uma vacinação em massa estaremos sempre à mercê de novos ondas", descreve o epidemiologista.

A falta de vacinas obrigou 14 cidades dos 26 estados do país mais o Distrito Federal a suspender a entrega da segunda dose, que garante a imunização, segundo reportagem da TV Globo.

Cerca de 28 milhões de pessoas receberam a primeira dose, ou seja, 13,2% da população, e 12 milhões a segunda.

A campanha de vacinação começou tarde, em meados de janeiro, com as vacinas da AstraZeneca e da chinesa CoronaVac, que chegaram aos poucos ao país.

Uma terceira opção estará disponível em breve: um milhão de doses do imunizante da Pfizer deve chegar ao Brasil nesta quinta-feira à noite.


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