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Estado de Minas BELFAST

Vítima do Brexit, primeira-ministra da Irlanda do Norte anuncia sua renúncia


28/04/2021 16:31 - atualizado 28/04/2021 16:38

Vítima das tensões geradas pelo Brexit na Irlanda do Norte, a chefe do governo local, Arlene Foster, anunciou sua renúncia nesta quarta-feira (28), dando lugar a um período de incerteza política na província britânica.

Foster, após uma rebelião interna em seu partido, o DUP, informou que deixará de liderá-lo no final de maio e o cargo de chefe do governo local no final de junho, em um comunicado divulgado pelo seu grupo político.

"Assim que for eleito, vou trabalhar com o novo líder na preparação para a transição", disse ela em declarações veiculadas na televisão. "O futuro do unionismo e da Irlanda do Norte não pode ser encontrado na divisão", advertiu.

A sua renúncia coincide com um período difícil para a Irlanda do Norte, onde o Brexit reacendeu as tensões comunitárias que deram origem aos "Troubles", as três décadas de violência entre católicos partidários da reunificação com a Irlanda e os protestantes, favoráveis à coroa britânica.

O conflito deixou 3.500 mortos até 1998, quando o acordo de paz da Sexta-feira Santa foi assinado.

- "Período de mudança" -

Durante as negociações sobre o Brexit, Foster teve um papel de destaque graças à posição estratégica do DUP no Parlamento de Londres, onde a formação garantiu uma maioria frágil ao governo de Theresa May. O DUP defendeu uma separação clara da UE.

No entanto, após a vitória esmagadora dos conservadores de Boris Johnson nas eleições legislativas de 2019, o DUP perdeu sua influência e Foster foi incapaz de impedir que os controles alfandegários fossem colocados em prática entre a Irlanda do Norte e o Reino Unido.

O dispositivo, previsto pelo Brexit, cria uma fronteira aduaneira no mar da Irlanda para evitar que a província e a República da Irlanda, membro da UE, sejam novamente separadas.

Londres decidiu adiar a maioria dos controles, mas isso não acalmou a raiva dos unionistas, o que levou a dez dias de agitação no início de abril.

Grande defensora da manutenção da união de sua província com a coroa britânica, Foster tornou-se primeira-ministra da Irlanda do Norte novamente em janeiro de 2020. Ela já havia tido que deixar o cargo devido a um escândalo sobre a gestão de subsídios para energias renováveis.

Após sua renúncia, a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, do partido republicano Sinn Fein, pediu ao futuro líder do DUP, um partido muito conservador, que "registre o fato de que o cenário político em nossa ilha mudou", considerando que a população quer reformas que reflitam "uma sociedade moderna e progressista"".

O ministro do governo britânico responsável pela Irlanda do Norte, Brandon Lewis, elogiou Foster no Twitter por uma política "verdadeiramente entregue". O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, agradeceu sua "entrega ao povo da Irlanda do Norte surante tantos anos".

Por sua parte, o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, elogiou o trabalho de Foster "durante um período de mudanças consideráveis", lembrando que "é importante trabalharmos juntos pela paz e prosperidade para todos".

De acordo com uma recente pesquisa da BBC, a maioria dos irlandeses, tanto do Norte quanto da República do Sul, acredita que a ilha será reunificada em cerca de 25 anos.

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