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Estado de Minas MINNEAPOLIS

Derek Chauvin, o rosto da brutalidade policial nos EUA


20/04/2021 22:15

Derek Chauvin, o ex-policial branco condenado nesta terça-feira (20) nos Estados Unidos pela morte do afro-americano George Floyd durante sua prisão, já tinha um histórico de uso excessivo da força antes deste caso, classificado pela procuradoria como um "chocante abuso de autoridade".

Chauvin se manteve ajoelhado sobre o pescoço de Floyd, de 46 anos, por mais de nove minutos, em uma rua de Minneapolis em 25 de maio de 2020, apesar dos apelos do detido e de espectadores espantados que filmaram a agonia.

A morte de Floyd, preso por supostamente comprar cigarros com uma nota falsa de 20 dólares, abalou os Estados Unidos e o mundo, gerando enormes protestos contra a injustiça racial e a brutalidade policial.

Durante o julgamento de três semanas, o advogado de Chauvin, Eric Nelson, disse que seu cliente "exalava um comportamento calmo e profissional" ao prender Floyd, e tentou convencer o júri de que ele "não usou uma força ilegal de propósito" e sim que agiu de acordo com seu treinamento.

Porém, a promotoria argumentou com sucesso que Chauvin usou força excessiva, não apenas com Floyd, mas também com outras pessoas que deteve ao longo de seus 19 anos de carreira na polícia.

Nos argumentos finais na segunda-feira, o procurador Steve Schleicher descreveu as ações de Chauvin como um "chocante abuso de autoridade" e frisou que Floyd "pediu ajuda com seu último suspiro", mas o agente não o deu ouvidos.

- 22 processos -

Quem conhece Chauvin disse que ele usava mais força do que o necessário ao realizar suas prisões.

A procuradoria exibiu vários exemplos de seu "modus operandi", incluindo o caso de Zoya Code, uma jovem negra presa em 2017 acusada por sua mãe de violência.

"Ele se apoiou no meu pescoço", contou Code recentemente sobre Chauvin. Frustrada e irritada, ela o desafiou a pressionar com mais força. "Foi o que ele fez. Só para me calar", afirmou.

Andre Balian, um instrutor de kung fu que treinou com Chauvin cerca de 20 anos atrás, disse que "não havia como" o ex-policial não perceber o dano que estava causando ou era capaz de causar. Em entrevista à AFP em junho, Balian se lembrou de Chauvin como um "idiota".

Vazaram poucas informações sobre Chauvin, mas ex-colegas, sob condição de anonimato, esboçaram na mídia o retrato de um homem silencioso, intransigente e viciado em trabalho, que costumava patrulhar bairros difíceis.

Seu compromisso rendeu a ele quatro medalhas durante sua carreira. No entanto, ele também acumulou 22 ações judiciais e investigações internas, de acordo com um registro público que não inclui os detalhes.

Apenas uma dessas queixas, apresentada por uma mulher branca que foi violentamente puxada do carro em 2007 por excesso de velocidade, apesar do choro de seu bebê, foi seguida por uma carta de reprimenda.

- Trabalharam juntos -

Nas noites de fim de semana, Chauvin trabalhou por um longo tempo como segurança em uma boate de Minneapolis, El Nuevo Rodeo, onde seus métodos pesados também deixaram uma lembrança amarga.

À imprensa, a ex-proprietária Maya Santamaría o descreveu como um homem com "pavio curto" que fazia um generoso uso de gás lacrimogêneo diante do menor incidente.

Coincidentemente, Floyd também trabalhou como segurança no mesmo estabelecimento, mas não se sabe se eles se conheceram.

Solitário no trabalho, Chauvin se casou com uma refugiada de Laos em 2010. Em maio do ano passado, ela pediu o divórcio.

Desde então, um tribunal abriu um processo de fraude fiscal contra o casal e, em novembro, um juiz rejeitou o acordo de divórcio que exigia que todos os seus bens fossem transferidos para sua esposa, Kelly Xing-Chauvin.

Esse arranjo teria protegido os fundos se Chauvin tivesse sido condenado a pagar danos significativos.

Além do processo criminal agora concluído, o ex-policial foi alvo de ações legais civis movidas pela família de Floyd, que culminaram em um acordo em março pelo qual a cidade de Minneapolis deve pagar 27 milhões de dólares aos familiares do afro-americano.

- Pouca emoção -

Chauvin, de 45 anos, teve a oportunidade de testemunhar em sua própria defesa, mas recusou, invocando seu direito constitucional contra a autoincriminação.

No entanto, livre sob fiança, ele comparecia ao julgamento todos os dias e fazia anotações. O assento atrás dele, reservado para membros de sua família, costumava ficar vazio, enquanto os parentes de Floyd se revezavam durante o julgamento.

Quando o veredicto foi lido, Chauvin, vestido com seu habitual terno cinza, não demonstrou muita emoção, exceto por seus olhos, que ficavam cada vez mais agitados enquanto ele era declarado culpado de cada uma das três acusações: assassinato em segundo e terceiro grau e homicídio culposo em segundo grau.

Chauvin foi imediatamente algemado e preso depois que o veredicto foi anunciado e agora aguarda a sentença.


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