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Estado de Minas WASHINGTON

Chefe da diplomacia dos EUA afirma que ameaça terrorista foi transferida do Afeganistão


18/04/2021 17:56 - atualizado 18/04/2021 18:01

O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, defendeu neste domingo(18) a decisão de seu país de se retirar do Afeganistão, afirmando que a ameaça terrorista mudou para outro lugar e que Washington deve redirecionar seus recursos para desafios como a China e a pandemia.

O presidente Joe Biden anunciou na semana passada que os Estados Unidos retirariam todas as suas forças do país antes do 20º aniversário dos ataques de 11 de setembro.

A retirada incondicional, quatro meses após o prazo acordado com o Talibã no ano passado, ocorre apesar do impasse nas negociações de paz entre os insurgentes e o governo afegão.

O chefe da CIA, William Burns, e alguns generais dos EUA, como o ex-chefe militar David Petraeus, argumentaram que essa medida poderia mergulhar o país em mais violência e deixar os Estados Unidos mais vulneráveis a ameaças terroristas.

"A ameaça terrorista mudou para outro lugar. E temos outros assuntos muito importantes em nossa agenda, incluindo o relacionamento com a China, incluindo lidar com questões que vão desde a mudança climática até a covid", disse Blinken ao programa "This Week" na rede ABC.

"E é aí que devemos concentrar nossa energia e recursos."

Blinken se encontrou com o presidente afegão Ashraf Ghani e altos funcionários dos EUA em Cabul na semana passada, informando-os sobre o anúncio de Biden na quarta-feira para encerrar "a guerra eterna", que começou em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001.

O chefe da diplomacia disse à ABC que seu país havia "alcançado os objetivos" que estabeleceu para si mesmo.

"A Al Qaeda foi significativamente degradada. Sua capacidade de realizar um ataque contra os Estados Unidos agora a partir do Afeganistão não existe", disse ele.

- "Devemos sair antes" -

O Pentágono, que já teve mais de 100.000 soldados no Afeganistão, agora tem 2.500 homens no país. Outros milhares formam uma força da Otan de 9.600 membros, que se retirará ao mesmo tempo.

O atraso na retirada, embora pouco mais de quatro meses, irritou o Talibã, que ameaçou retomar as hostilidades contra as forças dos EUA.

Blinken disse, no entanto, que Washington será capaz de ver qualquer movimento do Talibã "em tempo real" e agir.

"Portanto, se começarem algo de novo, vão se envolver em uma longa guerra que também não os interessa", disse o secretário de Estado.

O assessor de Segurança Nacional Jake Sullivan afirmou que os Estados Unidos buscarão manter uma presença diplomática com "um componente de segurança" após a retirada.

"Nossa comunidade de inteligência deixou claro esta semana em depoimento público que teremos meses de aviso antes que a Al-Qaeda ou (o grupo Estado Islâmico) possa ter uma capacidade externa de conspiração do Afeganistão", explicou Sullivan à Fox News.

A saída de 11 de setembro ocorrerá vários meses após o prazo de 1º de maio inicialmente acordado em fevereiro de 2020 pelo ex-presidente Donald Trump.

O republicano saudou a decisão da retirada, chamando-a de "uma coisa maravilhosa e positiva", mas expressou consternação com a escolha da data.

"Primeiro, podemos e devemos sair antes", disse ele em um comunicado, instando Biden a respeitar o prazo de 1º de maio.

"Em segundo lugar, o 11 de setembro representa um evento e um período muito tristes para nosso país e deve permanecer um dia de reflexão e lembrança" das vítimas, declarou Trump.


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