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Estado de Minas WASHINGTON

Biden impõe rigidas sanções à Rússia, mas pede a Putin que reduza 'escalada'


15/04/2021 20:20

Contra-ataque e mão estendida: o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ordenou duras sanções econômicas contra a Rússia e a expulsão de dez diplomatas russos, despertando a ira de Moscou, mas também renovou sua proposta de uma cúpula com Vladimir Putin para buscar uma "desescalada" das tensões.

Desde sua chegada à Casa Branca, Biden disse que estava avaliando sua resposta a uma série de eventos imputados a Moscou, incluindo um ataque cibernético maciço e interferência nas eleições de novembro nos Estados Unidos.

O presidente democrata, que chamou Putin de "assassino", prometeu ser muito mais assertivo do que seu antecessor, Donald Trump, acusado de complacência com seu homólogo do Kremlin.

A retaliação veio nesta quinta-feira (15) com um decreto seguido de sanções imediatas.

A ordem executiva permitirá que a Rússia seja punida novamente "se continuar a interferir em nossa democracia", advertiu Biden em um discurso solene da Casa Branca, mas garantiu que não quer "desencadear um ciclo de escalada e conflito".

Biden chamou as medidas de "uma resposta medida e proporcional" ao que chamou de ações hostis de Moscou.

O Tesouro dos EUA proibiu as instituições financeiras do país de comprarem diretamente títulos de dívida emitidos pela Rússia após 14 de junho.

Também sancionou seis empresas de tecnologia russas acusadas de apoiar as atividades de inteligência cibernética de Moscou.

Esta é uma resposta ao gigantesco ataque cibernético de 2020 que usou como vetor a SolarWinds, uma editora de software americana cujo produto foi hackeado para apresentar uma vulnerabilidade a seus usuários, incluindo várias agências federais americanas.

Implicado diretamente por Washington, o Serviço de Inteligência Estrangeiro Russo (SVR) descartou essas "ilusões".

- "Apoio" da Otan e UE -

Um alto funcionário dos EUA alertou que parte da retaliação permanecerá "secreta", sugerindo a possibilidade de um contra-ataque cibernético.

Além disso, o Tesouro sancionou 32 entidades e indivíduos acusados de tentar, em nome do governo russo, "influenciar as eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos", segundo a Casa Branca.

E o governo dos Estados Unidos também impôs sanções a oito pessoas físicas e jurídicas vinculadas à "ocupação" da Crimeia, em "associação" com a União Europeia (UE), Reino Unido, Austrália e Canadá.

A Otan, a UE e Londres expressaram o seu "apoio" às sanções americanas, mas sem anunciar imediatamente novas medidas. O governo britânico convocou o embaixador russo nesta quinta-feira para reclamar sobre a "atitude maliciosa" de seu país.

O Departamento de Estado expulsou dez funcionários da embaixada russa em Washington, alguns acusados de serem membros dos serviços de inteligência de Moscou.

O pacote de sanções também busca "responsabilizar" as autoridades russas após relatos de recompensas oferecidas ao Talibã por alvejar soldados americanos e estrangeiros no Afeganistão.

Um alto funcionário de Washington, no entanto, disse que a inteligência dos EUA atribuiu confiança de "baixa a moderada" nessas alegações.

As novas sanções se somam a uma primeira série de medidas punitivas anunciadas em março contra sete altos funcionários russos em resposta ao envenenamento e prisão do opositor Alexei Navalny.

- Resposta "inevitável" -

Esta é uma das ofensivas mais duras contra a Rússia desde a expulsão de vários diplomatas no final do mandato de Barack Obama.

E Moscou reagiu rapidamente. "Este comportamento agressivo receberá forte rejeição. A resposta às sanções será inevitável", alertou a porta-voz da diplomacia russa Maria Zakharova.

"Os Estados Unidos não estão dispostos a aceitar a realidade objetiva de um mundo multipolar que exclui a hegemonia norte-americana e depende da pressão de sanções e da interferência em nossos assuntos internos", lamentou.

Moscou também disse que convocou o embaixador norte-americano John Sullivan para "uma conversa difícil", mas este afirmou ter sido recebido a seu pedido, durante uma reunião "profissional e respeitosa".

- "O momento da desescalada" -

A Rússia também alertou que essas sanções "não vão favorecer" a organização de uma cúpula Biden-Putin.

Nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos manteve sua proposta de realizar esta primeira reunião, já que o fez esta semana ao seu homólogo russo durante uma conversa telefônica.

"Chegou a hora de diminuir a escalada", disse Biden, instando Putin em particular a "abster-se de qualquer ação militar" contra a Ucrânia, após o destacamento maciço de tropas russas nas fronteiras ucranianas.

As relações entre Washington e Moscou têm se deteriorado desde 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia da Ucrânia e eclodiram combates entre as forças de Kiev e separatistas pró-Rússia no leste.

Biden considerou necessária uma cúpula bilateral "neste verão (boreal) na Europa" para "lançar um diálogo estratégico sobre estabilidade" no campo do desarmamento e da segurança.

As sanções foram bem recebidas pela classe política americana, embora muitos republicanos lamentassem a ausência de medidas contra o gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e a Alemanha, denunciado por unanimidade em Washington.

A medida mais espetacular anunciada nesta quinta-feira, sobre a dívida, deve ter pouco efeito, já que a Rússia tem apenas dívidas limitadas e reservas superiores a 180 bilhões de dólares, impulsionadas por suas exportações de hidrocarbonetos.

No entanto, pode impactar o rublo, que caiu durante o dia.


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