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Estado de Minas WASHINGTON

Fracassa a iniciativa de criar o primeiro sindicato da Amazon nos EUA


09/04/2021 17:20 - atualizado 09/04/2021 17:25

A iniciativa de criar o primeiro sindicato da Amazon nos Estados Unidos fracassou nesta sexta-feira (9), depois que a contagem de votos mostrou que uma ampla maioria dos trabalhadores de uma fábrica de Alabama rejeitou a proposta.

Em uma contagem de votos online, membros da Junta Nacional de Relações Trabalhistas contaram mais de 1.798 votos pelo "não" contra 738 pelo "sim", certificando a derrota do projeto sindical.

Esses resultados encerram uma polêmica campanha sindicalista que durou vários meses e chamou a atenção nacional sobre as condições de trabalho na Amazon, que conta com mais de 800.000 funcionários nos Estados Unidos.

Ativistas e líderes políticos apoiaram a campanha sindical, argumentando a preocupação com um ambiente de alta pressão no qual os trabalhadores são constantemente vigiados.

A Amazon alegou que a maioria dos funcionários não queria um sindicato e afirmou que já oferece benefícios acima da média, com um salário mínimo de 15 dólares por hora.

O sindicato disse que vai contestar o resultado, afirmando que a Amazon "criou uma atmosfera de confusão, coação medo de represálias e, portanto, interferiu na liberdade de escolha dos trabalhadores".

- Acusações -

O sindicato também denunciou que os trabalhadores foram bombardeados com mensagens anti-sindicais.

"A Amazon sabia muito bem que, a menos que fizessem todo o possível, incluindo atividades ilegais, seus trabalhadores teriam continuado a apoiar o sindicato", informou o presidente do Sindicato do Varejo, Atacado e Lojas de Departamento (RWDSU), Stuart Appelbaum.

"Essa é a razão pela qual pediam a todos os seus funcionários que comparecessem a uma conferência atrás da outra, cheios de falsidades e mentiras, onde os trabalhadores tinham que ouvir a empresa pedir-lhes que se opusessem ao sindicato".

A Amazon negou, nesta sexta-feira, ter intimado os trabalhadores e afirmou que eles foram inundados com mensagens contra a empresa por parte do sindicato, dos políticos e da mídia.

"A Amazon não ganhou: nossos funcionários decidiram votar contra a adesão a um sindicato", disse o gigante do comércio eletrônico.

A campanha na Amazon foi vista como um ponto de virada para o movimento sindical americano que está cada vez menor, com ativistas tentando usar o que ocorreu no Alabama como um catalisador para outros esforços de organização.

O principal presquisador da Brookings Institution, Darrell West, chamou a campanha da Amazon de "um caso de teste para ver se a economia digital seguirá o mesmo caminho da economia industrial".

"Se a votação do sindicato falhar, isso vai esvaziar o esforço mais amplo de sindicalizar outras partes da economia digital", informou.

Para Will Brucher, professor da Escola de Negócios e Relações Industriais da Rutgers University, esse movimento de organização ainda pode ajudar um movimento sindical mais amplo.

"A Amazon venceu esta batalha, mas a guerra pode não ter acabado", ressaltou Brucher.

"Os trabalhadores pró-sindicatos podem continuar a se organizar, pressionar por melhorias nas condições de trabalho e podem ganhar outra eleição no futuro. A organização de base pode ter sucesso, mesmo contra um empregador poderoso como a Amazon".


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