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Estado de Minas PARIS

Os quadros de mestres que caíram do céu


08/04/2021 14:15

Esquecidas na poeira de um sótão ou adquiridas a preço de banana, algumas pinturas, às vezes, se revelam obras de grandes mestres e vêm à tona gerando surpresa e emoção no mundo da arte.

Nesta quinta-feira (8), o governo espanhol bloqueou o leilão iminente por US$ 1.800 de uma pintura atribuída ao círculo do pintor José de Ribera, por suspeitar que seria na realidade do mestre italiano Caravaggio.

Estas são quatro histórias de obras-primas que reaparecem repentinamente:

- Cimabue entre a cozinha e a sala -

"Christ Mocked" de Ceno Di Pepo, conhecido como Cimabue, um grande pintor italiano pré-renascentista, decorava o interior de uma casa antiga em Compiègne (norte da França), pendurado modestamente entre a cozinha e a sala.

Os proprietários desconheciam sua origem. Durante uma mudança, uma análise revelou que era uma obra muito rara de Cimabue.

No final de 2019, este elemento de um díptico de 1280 foi leiloado por mais de 24 milhões de euros (US$ 28,8 milhões). Assim, tornou-se a pintura pré-renascentista mais cara leiloada em venda pública no mundo.

A França proibiu a exportação da obra, comprada segundo a imprensa por um casal de colecionadores chilenos, e assim permitiu sua aquisição pelas coleções nacionais.

- Caravaggio no sótão -

A obra representando "Judite decapitando Holofernes" dormia há décadas no sótão de uma casa perto de Toulouse, no sul da França.

Seus proprietários a descobriram em abril de 2014, quando resolveram consertar um vazamento de água.

Sob uma espessa camada de poeira, um especialista revelou uma obra com traços vivos, uma cena expressiva e um perfeito domínio dos efeitos de luz.

Após meses de exame, o especialista Eric Turquin atribui-o ao grande mestre italiano do claro-escuro, Caravaggio. E foi avaliada em mais de 120 milhões de euros, quase 145 milhões de dólares.

A obra foi vendida em junho de 2019. O comprador seria o colecionador americano Tomilson Hill.

- Rembrandt num leilão -

O colecionador holandês Jan Six tem uma grande paixão por Rembrandt. Seu ancestral, o burgomestre de Amsterdã, foi retratado pelo grande pintor em 1654.

Em novembro de 2016, o retrato de um jovem do século XVII atraiu sua atenção. No seu catálogo, a Christie's anunciava a venda desta obra atribuída ao "círculo de Rembrandt".

Pouco antes do leilão, Jan Six viajou para Londres, examinou discretamente a pintura e ficou convencido de que este "retrato de um jovem cavalheiro" era de Rembrandt.

Ele não disse nada e em 9 de dezembro adquiriu o quadro no leilão por 160.000 euros (cerca de US$ 180.000), o preço que seria pago por um trabalho de um aluno de Rembrandt.

De volta a Amsterdã, ele submeteu a pintura a uma bateria de opiniões de especialistas. Todos concordaram em atribuí-lo ao mestre holandês.

Hoje vários especialistas consideram-no um verdadeiro Rembrandt, a 342ª obra conhecida do pintor.

- Gauguin na estação de Turim -

Uma mulher e dois sofás de vime em um jardim, uma natureza morta com um cachorro amarelo recostado num canto: ninguém quis saber dessas duas pinturas curiosas em 1975 no leilão de objetos encontrados na estação ferroviária de Turim.

O leiloeiro teve que fazer uma nova oferta, a um preço inferior. Nicolo, um trabalhador da Fiat amante da arte, as comprou por 45.000 liras (o equivalente a 238 euros, US$ 285) e as pendurou em sua sala de estar.

Durante anos, o filho de Nicolo foi hipnotizado por essas duas pinturas "anônimas" e queria descobrir seu mistério. Um dia, reconheceu em uma biografia de Bonnard "seu" jardim, o de sua pintura, no segundo plano de uma foto do pintor.

Para a natureza morta, o mistério era ainda maior, e foi a polícia especializada que esclareceu o enigma em 2014.

Essas obras dos mestres pós-impressionistas Pierre Bonnard e Paul Gauguin haviam sido roubadas em 1970 em Londres da casa de herdeiros ricos, que morreram sem descendência.

Depois de uma investigação, as duas obras, atualmente avaliadas em 5 milhões de euros (cerca de 6 milhões de dólares) e 35 milhões de euros (41 milhões de dólares), foram devolvidas pela justiça italiana ao trabalhador, uma vez que foram adquiridas por ele "em total boa fé".


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