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Estado de Minas ISLAMABAD

Premiê do Paquistão é criticado por vincular estupro e roupas femininas


07/04/2021 11:47

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, gerou polêmica em seu país e foi chamado de ignorante por ter estabelecido uma ligação entre o estupro e a maneira como as mulheres se vestem.

Em uma entrevista televisionada neste fim de semana, o ex-campeão de críquete estimou que os casos de estupro "aumentaram rapidamente" no mundo moderno, vendo isso como uma consequência normal "em qualquer sociedade onde a vulgaridade aumenta".

Ele então explicou que a razão pela qual as mulheres se cobrem no Islã é para escapar da tentação. "O próprio conceito de 'purdah' é evitar a tentação, nem todo mundo tem vontade de se afastar dela", disse ele.

O termo "purdah" refere-se à separação estrita dos sexos e à obrigação de pudor das mulheres em algumas comunidades muçulmanas ou hindus.

Centenas de pessoas assinaram uma petição online condenando declarações "objetivamente incorretas, nocivas e perigosas".

"A culpa é exclusivamente do estuprador e do sistema que favorece o estuprador, incluindo a cultura fomentada por certas declarações (como a de Khan)", diz o texto.

A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, um órgão independente, declarou-se "chocada" com as palavras do primeiro-ministro.

Sua relatora especial considerou que constituía "desconcertante ignorância" das motivações para o estupro e que tinha o efeito de "responsabilizar os sobreviventes do estupro".

Grande parte do Paquistão vive sob um código patriarcal, baseado na noção de "honra", que sistematiza a opressão das mulheres. As vítimas de abuso sexual são frequentemente estigmatizadas e os estupros raramente são denunciados, enquanto as investigações não são conduzidas de maneira adequada.

De acordo com dados oficiais, apenas 0,3% dos casos de estupro no Paquistão terminam em condenação.


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