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Estado de Minas PARIS

Europa e América Latina aumentam restrições e tentam acelerar vacinação


31/03/2021 10:26

Número de infecções em disparada, hospitais saturados, restrições crescentes e uma campanha de vacinação muito lenta. O cenário se repete em países como França ou Espanha, mas também do outro lado do Atlântico, onde o Brasil foi o país com mais mortes no mundo, com 3.780 óbitos em 24 horas.

No total, a pandemia já matou 317 mil pessoas no país sul-americano, segundo dados oficiais, número só superado pelos Estados Unidos, onde as mortes por coronavírus ultrapassam 550 mil.

No Brasil, assolado por uma segunda onda brutal que "atinge todas as regiões do país ao mesmo tempo", há "hospitais tão lotados que os pacientes precisam ser intubados fora das unidades de terapia intensiva", explicou à AFP Fernando Bozza, da Fundação Fiocruz, instituição referência em saúde pública.

Um estudo realizado com dados coletados por pesquisadores no Brasil mostra que a mortalidade de pacientes intubados com covid-19 chega a 83,5%. Este percentual, maior do que em outros países, "mostra a fragilidade de um sistema de saúde que já sofria com a falta de investimentos nos últimos anos e que se viu sobrecarregado", comentou Bozza.

Em meio à crise de saúde, o presidente Jair Bolsonaro destituiu nas terça-feira os comandantes das três Forças Armadas, um dia depois de demitir o chefe da Defesa, em meio a críticas por sua gestão caótica da pandemia do coronavírus.

- Mais vacinas -

Em toda a América Latina, mais de 778.000 pessoas morreram de coronavírus e houve mais de 24 milhões de infecções.

Na Argentina, os contágios estão aumentando e a vacinação está progredindo com dificuldade em razão dos atrasos dos laboratórios na entrega das doses.

Até o momento, cerca de três milhões de pessoas receberam a primeira dose e 600 mil as duas, segundo dados oficiais.

O país, de 45,4 milhões de habitantes, já registra mais de 55 mil mortes por coronavírus e 2,3 milhões de casos.

Na Colômbia, dois milhões de doses foram administradas em meio a uma nova explosão de mortes e infecções. Mas apenas 228.000 pessoas receberam as duas doses, neste país de 50 milhões de pessoas.

Na cidade equatoriana de Guayaquil, um dos primeiros focos da pandemia na América Latina, novas restrições foram impostas, como a redução da jornada de trabalho, devido ao aumento de casos.

Nesta quarta-feira, os laboratórios BioNTech e Pfizer anunciaram que sua vacina anticovid mostrou 100% de eficácia em jovens com entre 12 e 15 anos e estão confiantes de que começarão a vaciná-los antes do início do próximo ano letivo.

Por enquanto, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia aprovaram seu uso para maiores de 16 anos. Esta vacina já é administrada em mais de 65 países.

- Confinamento total na França? -

Nesta quarta-feira, especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluíram que uma análise provisória dos dados dos ensaios clínicos das vacinas chinesas Sinopharm e Sinovac mostrou que elas são "seguras" e têm "boa eficácia", mas faltam dados "em idosos e pessoas com outras doenças".

Mais de 565 milhões de vacinas foram administradas em todo o mundo, de acordo com cálculos da AFP baseados em números oficiais, mas as desigualdades entre os países são gritantes.

Hoje, as primeiras vacinas chegaram ao Iêmen, país devastado pela guerra e pela pobreza.

Na França, onde os hospitais estão saturados de pacientes e os números não melhoram apesar do toque de recolher e outras restrições em vigor, o presidente, Emmanuel Macron, vai se dirigir aos cidadãos nesta quarta e teme-se medidas muito mais rígidas.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, pediu o fechamento das escolas parisienses devido à "gravíssima" situação sanitária e à "muito grande desorganização" dos centros.

Os casos também estão aumentando em lugares como a Faixa de Gaza, enclave palestino onde 1.000 novos casos de infecção por coronavírus foram registrados em 24 horas, um dos números mais altos desde o início da pandemia, informou o Ministério da Saúde local.

- China sob pressão -

Após declarações inesperadas do diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na terça-feira, alimentando a hipótese de que o coronavírus poderia ter sido gerado devido a um acidente em um laboratório, a China é mais uma vez o alvo da pressão internacional.

Nesta quarta-feira, cientistas e porta-vozes do governo se defenderam das críticas e lembraram que, em seu relatório publicado esta semana, os especialistas internacionais enviados a Wuhan pela OMS praticamente descartam essa possibilidade.

Na terça, Estados Unidos e 13 aliados expressaram conjuntamente preocupação com este relatório sobre a origem da covid-19 e instaram a China a fornecer "acesso total" aos especialistas.

Em pouco mais de um ano, a pandemia já causou a morte de mais de 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo e cerca de 128 milhões de infecções, de acordo com uma contagem da AFP com base em números oficiais.

As consequências desta crise mundial aparecem todos os dias.

Segundo estudo do Fórum Econômico Mundial, a pandemia atrasou em mais de uma geração o tempo necessário para que a paridade entre homens e mulheres seja alcançada.


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