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Estado de Minas EDIMBURGO

Embate entre separatistas escoceses com criação de novo partido por ex-líder


26/03/2021 16:49

Disputas fratricidas entre partidários pró-independência marcam o início da campanha eleitoral na Escócia, cujo ex-primeiro-ministro Alex Salmond, absolvido de agressão sexual, voltou em grande estilo à política nesta sexta-feira (26), lançando um novo partido rival do qual fazia parte anteriormente.

Salmond, de 66 anos, anunciou a criação do partido Alba ("Escócia" em gaélico escocês) com o objetivo de formar "uma supermaioria no Parlamento do país a favor da independência" após as legislaturas regionais de 6 de maio, que os independentistas queriam usar como um trampolim para convocar um novo referendo de autodeterminação.

"A estratégia do partido é clara e inequívoca: alcançar um país independente de sucesso, socialmente justo e ambientalmente responsável", ressaltou.

Salmond é há tempos o homem forte da Escócia, líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) há 20 anos, tornando-o a maior formação regional.

Mas em 2014, renunciou após o referendo com a vitória do "não" à independência. Nos últimos anos, ele apresentou um programa no RT, o canal de notícias estatal russo.

Nesta sexta-feira, ele disse que queria fortalecer a maioria independentista no Parlamento escocês, mas seu anúncio foi o culminar de meses de desacordos entre os partidários à separação.

Salmond está há semanas em conflito aberto com a ex-protegida e sucessora, a primeira-ministra Nicola Sturgeon, pela forma como ela lidou com as acusações de agressão sexual feitas contra ele por nove mulheres, das quais foi absolvido pela Justiça em 2020.

Uma famosa defensora dos direitos das mulheres, Sturgeon foi acusada por seu ex-mentor de montar uma conspiração para retirá-lo da vida pública.

Uma comissão parlamentar criada para esclarecer o assunto concluiu na terça-feira que Sturgeon havia "enganado" o Parlamento quanto a este caso. Uma investigação independente a inocentou de qualquer violação do código de conduta.

Esta vitória a fortaleceu e permitiu que sobrevivesse a um voto de censura contra ela na terça-feira.

No entanto, o caso deixou sua marca na opinião pública: as pesquisas mais recentes mostram uma queda no apoio ao SNP e à independência.

Em 2014, os 55% dos escoceses votaram a favor de permanecer no Reino Unido. O principal argumento contra a independência era o risco de ficar de fora da União Europeia.

Paradoxalmente, dois anos depois, todo o Reino Unido votou a favor do Brexit e os escoceses, 62% contrários à saída britânica do bloco, saíram contra sua vontade.

Em referência a esta "mudança de circunstâncias", o SNP pede por um novo referendo, o qual o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recusa terminantemente.

O partido de Sturgeon espera ganhar uma grande maioria no Parlamento regional em 6 de maio, o que torna a posição de Johnson insustentável.

O SNP recebeu friamente o anúncio de Salmond neste sexta-feira, denunciando por meio de um porta-voz que esse retorno à política está motivado por "interesses pessoais" que "eclipsariam" os escoceses.

Alba afirma não querer enfraquecer o SNP e garantiu que numa eleição por um sistema híbrido de listas e círculos eleitorais não tem intenção de apresentar candidatos a este último para evitar um confronto frontal com o partido de Sturgeon, que pode assim perder para os partidos sindicalistas.

"Uma maioria com todos os partidos pró-independência" seria um posicionamento "mais forte" para iniciar negociações com o governo central a respeito de um novo referendo, argumentou Salmond.


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