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Estado de Minas MONTEVIDÉU

América Latina tenta conter onda brutal da covid-19, que devasta Brasil e México


26/03/2021 12:01

Confinamento no Chile e restrições de voos na Argentina. A América Latina reforça suas medidas diante de uma nova onda brutal da covid-19, que devasta o México e o Brasil, enquanto na Europa aumenta a tensão sobre a produção e distribuição de vacinas.

O coronavírus, que já fez mais de 24 milhões de casos e 757 mil óbitos na América Latina e Caribe, continua avançando na região, preocupada com a aumento da incidência da variante brasileira, considerada muito mais contagiosa que a cepa original.

Apesar do otimismo com as vacinas, a realidade da pandemia tem levado autoridades de vários países a impor novas medidas para reduzir a circulação do vírus.

Assim, o Chile, que lidera o processo de vacinação contra a covid na América Latina, confinará mais de 80% de seus 17 milhões de habitantes a partir de sábado.

"É importante que a população entenda que vivemos uma situação preocupante", disse o ministro da Saúde, Enrique Paris, em entrevista coletiva na quinta-feira.

A Argentina anunciou, por sua vez, a suspensão dos voos regulares com Chile, Brasil e México a partir de sábado. A restrição se soma àquela já em vigor para viagens aéreas do Reino Unido e Irlanda do Norte.

O país sul-americano mantém o fechamento de suas fronteiras para turistas e recomenda aos argentinos e residentes que não viajem para o exterior.

- "Genocídio" -

Os casos de coronavírus também estão aumentando em países como Uruguai, Venezuela, Peru e Paraguai, que atribuem a atual onda da pandemia à ferocidade da variante brasileira, chamada P1.

O Brasil registrou mais de 100.000 infecções por covid-19 em 24 horas pela primeira vez na quinta-feira, um novo pico em uma pandemia que já matou mais de 300.000 pessoas no país.

Esses dados se devem, entre outros fatores, ao desrespeito às recomendações de isolamento social e ao surgimento da cepa local do vírus.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou nesta sexta as mortes por coronavírus de o "maior genocídio" da história do país e criticou o atual presidente, Jair Bolsonaro.

"Na terça-feira, 3.158 pessoas morreram por covid no Brasil. Este é o maior genocídio de nossa história. Nossa atenção não deve estar nas eleições do próximo ano, e sim na luta contra o vírus e na vacinação da população. Temos que salvar o Brasil do coronavírus", disse Lula em entrevista à revista alemã Der Spiegel.

Sobre Bolsonaro, "durante um ano ele não levou o vírus a sério e nos contou mentiras. Durante um ano ele provocou todos os que não concordavam com ele", denunciou.

"Se tivesse um pouco de grandeza, ele deveria pedir perdão às famílias dos 300.000 mortos por covid e dos milhões de infectados", disse.

Nesse contexto desanimador, o instituto Butantan de São Paulo anunciou nesta sexta-feira que está desenvolvendo uma vacina "100% brasileira" contra o coronavírus.

"Os resultados foram excelentes nos testes pré-clínicos", disse o diretor do Butantan, Dimas Covas, em entrevista coletiva.

O projeto agora aguarda autorização da Anvisa para iniciar os testes clínicos em abril e a vacinação em julho.

O México, por sua vez, ultrapassou as 200.000 mortes por covid-19 na quinta-feira. Com 126 milhões de habitantes o país é o terceiro mais enlutado pela pandemia em números absolutos, depois dos Estados Unidos e do Brasil.

- Nova fábrica da AstraZeneca na Europa -

Na Europa, Bruxelas e o Reino Unido travam uma polêmica sobre o acesso às vacinas do laboratório anglo-sueco AstraZeneca contra a covid-19.

Horas depois de a União Europeia (UE), que enfrenta problemas de abastecimento, se mostrar disposta a bloquear as exportações de doses da AstraZeneca para fora do bloco, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta sexta uma fábrica para a produção dessa vacina na Holanda.

"Uma nova fábrica foi aprovada para a produção da substância ativa da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca", declarou a EMA, com sede em Amsterdã.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, havia alertado na quinta-feira que a AstraZeneca, que entregou apenas 30 das 120 milhões de doses prometidas para o primeiro trimestre à UE, deveria "recuperar o atraso e honrar [seu] contrato" com o bloco "antes de poder exportar vacinas novamente".

A fábrica na Holanda elevará para quatro o número de fábricas autorizadas a produzir a substância ativa da vacina AstraZeneca, disse a EMA.

A UE exportou cerca de 21 milhões de doses, entre todas as vacinas produzidas no seu território, para o Reino Unido, mas não recebeu nenhuma das produzidas do outro lado do Canal da Mancha, apesar de o contrato assinado com a AstraZeneca prever a entrega de vacinas de duas fábricas britânicas.


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