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Estado de Minas BRUXELAS

Europa busca soluções para falta de vacinas que afeta os mais pobres


25/03/2021 18:29

Os problemas no fornecimento de vacinas na União Europeia (UE) concentram as atenções nesta quinta-feira (25) de uma reunião de cúpula do bloco, em um contexto mundial de atrasos nas entregas dos fármacos que afetam especialmente os países mais pobres.

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden, que deve participar por videoconferência na cúpula da UE à noite, dobrou sua meta inicial de vacinação e a levou para 200 milhões de vacinas durante seus primeiros 100 dias no cargo.

"Hoje estou estabelecendo a segunda meta, que é, em meu centésimo dia de mandato, ter aplicado 200 milhões de doses nos braços do povo", prometeu.

Os dirigentes dos 27 países da UE devem discutir em um encontro virtual soluções para a lentidão das campanhas de vacinação, no momento em que vários países do bloco voltam a adotar medidas de restrição diante da terceira onda da pandemia.

A Comissão Europeia endureceu na quarta-feira o sistema de controle das exportações de vacinas produzidas em seu território para países de fora do bloco, uma decisão que provocou uma reação irritada do Reino Unido, principal receptor dos fármacos produzidos na UE .

O imunizante do laboratório anglo-sueco AstraZeneca, que ao lado dos fármacos da Moderna e Johnson & Johnson tem autorização europeia, está no centro da polêmica por seus atrasos e os temores que provocou após a detecção de que pessoas vacinadas desenvolveram coágulos sanguíneos incomuns.

Com as dúvidas, na semana passada, vários países europeus suspenderam temporariamente sua aplicação, antes de retomar o uso, após as recomendações da agência reguladora europeia e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas alguns países continuam avaliando a situação, como a Dinamarca, que anunciou nesta quinta a prorrogação por três semanas da interrupção do uso da vacina da AstraZeneca, alegando que precisa de "mais tempo" para descartar a possibilidade de relação com o risco de trombose.

A covid-19 segue sem trégua na Europa e na França, onde devido à situação "crítica" dos hospitais, o governo anunciou que vai estender o confinamento parcial que vigora em parte do país, incluindo Paris, a três outros departamentos, onde serão fechados negócios considerados "não essenciais" e os habitantes estarão sujeitos a restrições de mobilidade.

- Atrasos na Índia -

E a situação é ainda mais grave nos países com poucos recursos, que confiam no programa internacional Covax para receber as aguardadas vacinas.

Mas a entrega vai sofrer um atraso devido à falta de licença de exportação da Índia, um dos maiores fabricantes de vacina do mundo, anunciou nesta quinta-feira a Aliança de Vacinas Gavi, que codirige o programa internacional Covax.

Os fornecimentos "serão atrasados pela falta de licenças de exportação para doses adicionais de vacinas (...) fabricadas pelo Serum Institute da Índia, que deveriam ser enviadas em março e abril", informou à AFP a Aliança Gavi.

O sistema internacional Covax deseja distribuir este ano doses a 20% da população de quase 200 países e territórios, e inclui um mecanismo de financiamento para ajudar 92 países desfavorecidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 2,7 milhões de mortes no mundo e infectou mais de 124,8 milhões, segundo um balanço da AFP.

Atualmente, o vírus devasta o Brasil, segundo país mais afetado pela doença e que superou a marca de 300.000 vítimas fatais.

A pressão levou o presidente Jair Bolsonaro, cético em relação aos danos provocados pelo vírus e obstinado opositor do confinamento, a formar na quarta-feira um comitê de crise "para decidir o rumo do combate" à pandemia.

O país de 212 milhões de habitantes se tornou uma fonte de preocupação mundial, devido à falta de coordenação de suas políticas de saúde e ao surgimento de uma variante local do vírus, denominada P1, considerada muito mais contagiosa.

- Confinamento no Chile-

E a situação começa a provocar problemas além das fronteiras.

Quase 24 milhões dos 600 milhões de habitantes da América Latina e Caribe contraíram o novo coronavírus e mais de 753.000 morreram, segundo a AFP.

Vários países, incluindo Uruguai, Venezuela e Peru, atribuem a aceleração de contágios à cepa P1.

No Chile, as infecções por covid-19 aumentaram 36% nas últimas duas semanas e o governo decidiu confinar mais de 80% dos 19 milhões de habitantes do país a partir desta quinta-feira.

"É importante que a população compreenda que vivemos uma situação preocupante", disse o ministro da Saúde, Enrique Paris, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, no início do confinamento de 38 das 52 comunas de Santiago.

O país é líder na América Latina no processo de vacinação, e mais de 6 milhões de habitantes receberam pelo menos a primeira dose do imunizante, mas isso não impediu o Executivo de ordenar novas medidas.

Assim, os viajantes do Brasil terão que cumprir uma quarentena de 3 dias em um hotel sanitário e 7 em sua residência, e todos aqueles que chegar ao Chile do exterior a partir de 31 de março terá que ficar cinco dias em um hotel sanitário (por sua conta).

A boa notícia vem de Cuba, que começou a testar em 150.000 profissionais da saúde uma vacina contra a covid-19 produzida na ilha, a primeira concebida e desenvolvida na América Latina.

O objetivo do estudo é testar o fármaco em larga escala, mesmo antes da aprovação, entre médicos, enfermeiras, técnicos e até funcionários de manutenção dos centros de saúde.


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