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Estado de Minas MINNEAPOLIS

Em Minneapolis, grupo de autodefesa quer proteger comunidade afro-americana


25/03/2021 11:57

Com seus fuzis semiautomáticos AR-15 pendurados nos ombros e coletes à prova de balas, membros dos "Minnesota Freedom Fighters", grupo de autodefesa afro-americano formado após a morte de George Floyd na cidade americana de Minneapolis, em maio de 2020, impressionam e sabem disso.

"Nosso objetivo é mostrar que os homens negros podem proteger sua comunidade, com armas, e ser dignos de confiança", explica à AFP Randy Chrisman, um homem de 30 anos com constituição atlética.

"Estamos cansados de sermos vistos como membros de gangues, porque temos armas, ou como inimigos, por causa da cor da nossa pele", afirma Chrisman, que patrulha bairros em Minneapolis, no estado de Minnesota, desde a primavera boreal (outono no Brasil).

A grande cidade do norte dos Estados Unidos, onde Floyd foi morto em 25 de maio por um policial branco, foi palco de tumultos após a tragédia, em que vários estabelecimentos comerciais e uma delegacia de polícia foram incendiados.

Nesse contexto confuso, "ouvimos que os supremacistas brancos iriam incendiar nossos negócios, quebrar janelas" e aproveitar o caos para vandalizar os bairros negros, lembra Chrisman.

Portanto, não hesitou em se inscrever quando a filial local da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP) convocou grupos de defesa. Ele então se juntou a um grupo de afro-americanos proprietários de armas, todos licenciados e treinados no uso de pistolas e fuzis.

Por vários dias, patrulharam juntos uma artéria comercial nos bairros do norte.

"Tivemos interações com algumas pessoas, extremistas brancos", diz outro membro do grupo, que quer ser identificado por seu apelido, Step Child. Em geral, "conseguimos manter a calma", acrescenta, sem entrar em detalhes.

- "Dissuasório" -

Durante esta experiência, estes homens de origens diversas (são caminhoneiros, treinadores de basquetebol, corretores imobiliários, etc.), com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos, formalizaram seus vínculos, atribuíram nomes e criaram um logotipo.

Nos meses seguintes, participaram da segurança das homenagens a George Floyd e de inúmeras manifestações antirracistas.

"Quando há uma ameaça, eles nos chamam para monitorar o protesto", diz Step Child, de 45 anos, que trabalha com segurança informática.

E, o mais importante, continuam treinando para qualquer eventualidade. Fazem exercícios de cardio, artes marciais, tiro de precisão, treinamento de combate, etc.

"Não somos de gatilho fácil, não queremos ter que atirar", assegura Randy Chrisman.

Por que então patrulhar em trajes quase militares e com armas de fogo? "A comunidade confia mais em nós assim", diz.

São "um elemento dissuasório", acrescenta Step Child, utilizando o argumento clássico da Segunda Emenda à Constituição, que, explica ele, garante o direito de portar armas e legítima defesa.

Os "Freedom Fighters" afirmam ter boas relações com a polícia e até servem de "ponte" com os negros, que desconfiam muito das forças de segurança.

Contactada pela AFP, a polícia não fez comentários.

Assim como as autoridades, membros do grupo agora aguardam ansiosamente o resultado do julgamento do policial branco Derek Chauvin, acusado de matar Floyd. O veredicto é esperado para o final de abril, ou início de maio.

"Se ele for absolvido, muita gente vai ficar com raiva. Pode haver ataques, ou tumultos", teme Chrisman.

"Infelizmente, acho que eles vão nos pedir reforços", completou.


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