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Estado de Minas BERLIM

Merkel admite 'erro' por restrições anticovid reforçadas para Semana Santa


24/03/2021 15:42 - atualizado 24/03/2021 15:43

Angela Merkel admitiu nesta quarta-feira (24) que cometeu um "erro", ao tentar reforçar as normas de saúde contra a covid-19 na Alemanha para o feriado prolongado da Semana Santa, e confirmou o abandono do plano que recebeu muitas críticas.

A terceira onda epidêmica se tornou um calvário para a chanceler, cujo partido está em queda livre nas pesquisas, a ponto de embaralhar as cartas seis meses antes das eleições que marcarão o fim de seus 16 anos no comando da Alemanha.

Em um discurso solene nesta quarta, a chanceler fez um "mea-culpa".

"Um erro deve ser chamado de erro e, sobretudo, deve ser corrigido e, se possível, a tempo. Sei que esta proposta provocou uma incerteza adicional. Lamento profundamente e, por isto, peço o perdão de todos os cidadãos", afirmou a chanceler após uma reunião de emergência com os líderes dos estados regionais.

"Este erro é exclusivamente meu", admitiu Merkel, pedindo "perdão aos alemães", antes de ir à Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento, para uma sessão de perguntas e respostas.

A ideia de um endurecimento das medidas por cinco dias durante a Semana Santa (de 1º a 5 de abril) foi pensada com "as melhores intenções", alegou Merkel, com o objetivo de "desacelerar e reverter a terceira onda da pandemia, mas não se pode fazer isso em um período curto de tempo".

A chanceler e os 16 estados regionais decidiram o dispositivo, que incluía o fechamento de lojas e cerimônias religiosas organizadas por videoconferência, na segunda-feira (22), após uma reunião de mais de 12 horas.

"A situação é grave. O número de casos aumenta exponencialmente, e os leitos de terapia intensiva voltam a ser preenchidos", alertou a chanceler, ao final da reunião de segunda-feira.

A variante britânica, acrescentou ela, colocou a Alemanha em uma "nova pandemia". O país ultrapassou a barreira de 75.000 mortes, devido à covid-19.

Além de estender as restrições atuais até 18 de abril, como a limitação das reuniões privadas, o governo também havia proibido os aluguéis para o feriado de Páscoa em todo país.

Nesta quarta, porém, voltou atrás.

Após um exame jurídico por vários Ministérios, muitos problemas surgiram na organização desta "pausa", explicou o presidente do partido conservador CDU, Armin Laschet.

O governo contempla proibir provisoriamente algumas viagens ao exterior, como para a ilha espanhola de Mallorca, um destino muito popular entre os alemaes, segundo informou um porta-voz do Executivo nesta quarta-feira.

Considerada insuficiente pelos cientistas, a "pausa" foi criticada por diversos setores: de associações empresariais, por seu impacto econômico, a cristãos privados das missas presenciais.

E as críticas à decisão de endurecer as medidas de restrição surgiram, inclusive, de integrantes do governo.

O ministro do Interior da Baviera, o conservador Horst Seehofer, disse estar "espantado com o fato de todos os partidos, cujos nomes têm um C (de cristão) sugiram que as igrejas evitem celebrar cerimônias, especialmente na Semana Santa".

Já os deputados conservadores da CDU-CSU estão preocupados com as chances de renovação de mandato nas eleições de 26 de setembro.

Essas críticas se refletem nas pesquisas para os conservadores da CDU-CSU. Se, há poucas semanas, as sondagens apontavam sua vitória nas urnas, agora aparecem abalados por escândalos sobre compra de máscaras envolvendo vários de seus membros.

Uma pesquisa realizada nesta quarta dá 26% ao campo conservador, dez pontos a menos do que no início do ano. Os Verdes aparecem logo atrás, com 22% das intenções de voto, de acordo com sondagem feita para o canal NTV.


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