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Estado de Minas JERUSALÉM

Benjamin Netanyahu, 'defensor de Israel' e 'mestre da sobrevivência política'


23/03/2021 21:40

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro que ficou por mais tempo no poder em Israel, voltou a mostrar, nesta terça-feira, que é um mestre na arte da sobrevivência política, apesar de ser acusado de corrupção.

O premier conta com 31 a 33 cadeiras das 120 do parlamento, segundo as pesquisas, e poderia formar um governo com os aliados de direita, à espera de que seu antigo protegido, Naftali Bennett, revele suas cartas.

A permanência de Netanyahu à frente do governo desanima os opositores, que citam seu julgamento em curso por corrupção, malversação e abuso do poder. Já seus apoiadores veem em "Bibi" a encarnação do novo "Rei de Israel", por sua defesa do país contra o Irã, apresentado como o novo "Amalek", inimigo mortal dos hebreus na Bíblia. Para eles, sua gestão da pandemia, com uma rápida e ampla campanha de vacinação, reforçou esse status.

Netanyahu, no entanto, está na mira da opinião pública por não ter ajudado de forma suficiente os trabalhadores que perderam o emprego.

- Sionista convencido -

Netanyahu foi o único premier nascido após a criação de Israel, em 1948. Nascido em Tel Aviv em 21 de outubro de 1949, ele herdou a forte bagagem ideológica de seu pai, Benzion, que foi assistente pessoal de Zeev Jabotinsky, líder da tendência sionista chamada "revisionista", favorável a uma "Grande Israel" que inclua a Jordânia.

Contrário ao processo de paz palestino-israelense de Oslo, que ele mesmo ajudou a enterrar, Netanyahu defende uma visão de Israel como um "Estado judaico" cujas fronteiras se estendem até a Jordânia. Nesse sentido, apoia a anexação da Cisjordânia ocupada e suas medidas favoreceram um aumento das colônias.

Nos anos 1970, após a Guerra dos Seis Dias (1967), o jovem Netanyahu presta o serviço militar em um comando de elite. Mas foi principalmente seu irmão mais velho, Yoni, que se destacou no Exército. A morte dele, em 1976, durante a invasão israelense para libertar os reféns de um voo Tel Aviv-Paris, comoveu profundamente Netanyahu, que faria da "luta contra o terrorismo" um dos principais lemas de sua carreira.

"Benjamin Netanyahu construiu sua figura política em torno de uma imagem de força e da ideia segundo a qual os judeus não podem se conformar com uma fé morna, devendo se mostrar tão duros quanto a região em que vivem", escreveu em suas memórias o ex-presidente americano Barack Obama.

Embora mantenha suas declarações duras contra os líderes palestinos, Netanyahu defendeu a normalização recente das relações com países árabes - Emirados Árabes, Barein, Sudão e Marrocos - e sonha estendê-la à Arábia Saudita.

- Círculo íntimo -

Orador nato, Netanyahu também é um diplomata de carreira. Viveu nos Estados Unidos, onde estudou e foi embaixador na ONU nos anos 1980. Quando retornou a Israel, foi eleito deputado em 1988 pelo Likud, grande partido da direita israelense, do qual rapidamente se tornou o novo astro.

A ascensão de Netanyahu foi imparável até 1996, quando, aos 47 anos, ele se tornou o primeiro-ministro mais jovem da história de Israel. Seu governo, no entanto, durou apenas três anos. Após permanecer afastado por algum tempo, retomou sua grande paixão, a política, voltou a dirigir o Likud e foi novamente eleito premier em 2009.

Embora eleição após eleição parte do eleitorado lhe conceda confiança, Netanyahu parece confiar apenas em um pequeno círculo de colaboradores. Atualmente, vários de seus adversários são ex-ministros. "Não acho que seja coincidência. Ele não confia em ninguém e seu valor fundamental é garantir sua própria sobrevivência, motivo pelo qual usa as pessoas e depois as afasta", aponta Colin Shindler, professor na Escola de Estudos Orientais e Asiáticos de Londres.

Após as eleições, uma coisa Netanyahu não poderá evitar. Seu julgamento por corrupção deve ser retomado em abril.


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