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Estado de Minas JERUSALÉM

Netanyahu lidera eleições, mas sem garantias de formar um governo


23/03/2021 22:30 - atualizado 23/03/2021 22:37

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reivindicou na noite desta terça-feira (23) uma "imensa vitória para a direita" nas eleições legislativas, a quarta em quase dois anos em Israel, mas até o momento ele não tem cadeiras suficientes para formar um governo.

Seu partido Likud lidera as eleições, de acordo com as pesquisas, mas ainda faltam alguns votos para que ele e seus aliados ganhem a maioria dos assentos, o que coloca em evidência Naftali Bennett, o líder da direita radical que ainda não indicou se vai se unir ao grupo de Netanyahu.

"Cidadãos de Israel, obrigado! Vocês deram uma imensa vitória para a direita e para o Likud sob a minha direção (...) É evidente que uma maioria esmagadora de cidadãos israelenses é de direita e quer um governo de direita, forte e estável", tuitou Netanyahu.

Segundo as sondagens, o Likud conquistou entre 31 e 33 assentos dos 120 do Knesset (Parlamento), bem à frente do partido Yesh Atid (Há Futuro), do centrista Yair Lapid, com 16 a 18 assentos.

- "Curar as feridas" -

Para alcançar a maioria de 61 deputados e formar um governo, Netanyahu espera se aliar à direita religiosa, mas também, pela primeira vez, à extrema direita.

Para alcançar a maioria de 61 deputados e formar um governo, Netanyahu realmente espera se aliar à direita religiosa, mas também, pela primeira vez, à extrema direita. E o Lapid tem um acordo com partidos de esquerda e centro, mas também com uma parte de direita decepcionada com o primeiro-ministro.

De acordo com as projeções, o "bloco Netanyahu" terá entre 51 e 56 deputados, contra 48 e 52 do bloco que Yair Lapid lideraria devido aos bons resultados de seus aliados de esquerda. É por isso que as 6 a 8 cadeiras atribuídas a Bennett são tão importantes para Netanyahu.

"Entendemos que o peso da responsabilidade recai sobre nossos ombros (...) Esse poder que me deram, utilizarei seguindo um único princípio: o que é bom para Israel, o que é bom para os cidadãos de Israel", reagiu Bennett à noite.

"Chegou a hora de curar as feridas, de superar as divisões", acrescentou, sem esclarecer se pretende integrar uma coalizão pró ou anti-Netanyahu, ou ainda se pensa em reunir ao seu redor uma nova coalizão que sirva como uma alternativa aos dois grandes grupos.

- Negociações -

Este quarto episódio de uma saga eleitoral parece servir como um referendo sobre Netanyahu, julgado por "corrupção" e ao mesmo tempo arquiteto de uma intensa campanha de vacinação contra o coronavírus.

Depois de três eleições muito apertadas, os analistas contavam com um certo "cansaço eleitoral". Não se enganaram: a comissão eleitoral anunciou uma taxa de participação de 67,2%, 4,3 pontos abaixo das eleições de março de 2020.

O resultado completo da votação será divulgado na sexta-feira.

Depois, será celebrado o feriado da Pessach, a "Páscoa judia", e mais tarde o presidente Reuven Rivlin pedirá aos novos deputados que escolham um candidato que consiga reunir a maioria dos assentos para liderar o próximo governo.

- Campanha de vacinação -

O trunfo de Netanyahu para sua campanha eleitoral foi o acordo feito com o gigante farmacêutico Pfizer, que permitiu a Israel obter rapidamente, desde o final de dezembro, milhões de doses da vacina contra a covid-19 em troca de dados biomédicos sobre seus efeitos.

O país realizou nas últimas semanas uma das campanhas de vacinação mais intensas do mundo, aplicando as duas doses necessárias em quase 50% da população, ou seja, mais de dois terços dos eleitores.

Apesar do desconfinamento e da reabertura do comércio, os partidos políticos não puderam realizar grandes comícios e a campanha se desenvolveu nas redes sociais.

O primeiro-ministro apostou em sua campanha de vacinação e na tímida recuperação econômica, enquanto a oposição aproveitou o argumento do julgamento do primeiro-ministro por "corrupção", "desfalque" e "abuso de poder", iniciado há poucos meses e que alimenta um movimento de protestos em todo o país há 39 semanas.

No sábado à noite, milhares de pessoas se reuniram novamente em Jerusalém gritando "Yalla (vamos lá), Bibi" ou "Tchau, Bibi". Porém, para seus apoiadores, ele é "Bibi, o rei de Israel".

Um foguete foi disparado da Faixa de Gaza palestina contra a cidade israelense onde estava Netanyahu, mas caiu em um terreno baldio e não estragou a noite eleitoral, que pode ser seguida por muitas noites de negociações.

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