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Estado de Minas AL-OMAR

EI continua perigoso dois anos após derrota, advertem curdos


23/03/2021 12:20

As forças do Estado Islâmico (EI) continuam a ser tão perigosas quanto quando foram expulsas de seu último reduto na Síria há dois anos, alertaram nesta terça-feira (23) as tropas curdas, no aniversário desse evento.

As Forças Democráticas Sírias (FDS) lideradas pelos curdos afirmam que os esforços de contraterrorismo hoje são "mais difíceis do que o combate direto contra os terroristas do EI e são considerados mais perigosos", de acordo com um comunicado divulgado por ocasião do segundo aniversário de sua vitória em março de 2019.

"A queda da última porção do território do EI no nordeste da Síria não significa sua derrota completa", acrescentam as FDS.

Nesta terça, autoridades curdas, líderes tribais locais e membros da coalizão liderada pelos Estados Unidos que expulsou o EI de seu reduto na Síria recordaram o aniversário com um desfile militar nos campos de petróleo de Al Omar, que estão sob proteção americana, na província de Deir Ezzor (leste).

A derrota do EI na margem oriental do vilarejo de Baghouz pôs fim ao "califado" transfronteiriço declarado em 2014 em parte do Iraque e da Síria.

Mas depois de dois anos, o grupo extremista mostrou que não precisa de um território para ser uma ameaça grave, uma vez que continua a realizar ataques e emboscadas regulares, incluindo com bombas nas estradas ou uso de veículos com metralhadoras.

Teme-se também que estejam recrutando novos combatentes, alguns deles entre as dezenas de milhares de pessoas suspeitas de serem parentes de membros do EI detidos em campos superlotados para deslocados.

- "O momento mais difícil" -

"Estamos atualmente no momento mais difícil de nossos esforços de contraterrorismo", asseguram as FDS.

O Estado Islâmico ainda tem cerca de 10.000 combatentes ativos na Síria e no Iraque, embora a maioria esteja neste último país, de acordo com um relatório recente das Nações Unidas.

O vasto deserto sírio perto da fronteira com o Iraque se tornou um "santuário" para o EI e uma plataforma de lançamento para seus ataques, de acordo com a mesma fonte.

O grupo "mantém uma estrutura de células que lhe permite realizar ataques terroristas", disse no mês passado o general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central do Exército dos EUA (Centcom), responsável pelas tropas desdobradas no Afeganistão, Iraque e Síria.

Bandeiras das FDS foram colocadas em Al-Omar para comemorar o aniversário, junto com cartazes mostrando os combatentes mortos durante os confrontos com os extremistas.

Soldados em roupas de combate marcharam em uma demonstração de força.

"No espírito da libertação de Baghouz... vamos libertar todas as nossas terras", diz um cartaz, referindo-se à cidade onde foi travada a última luta contra o EI.

As forças curdas juntaram-se às forças árabes para formar em 2015 a aliança FDS apoiada pelos Estados Unidos.

Começaram a expulsar o EI de territórios importantes, incluindo Raqa, a capital de fato dos jihadistas, em 2017.

Em outubro de 2019, um ataque americano na Síria matou o líder Abu Bakr al-Baghdadi e vários outros funcionários do grupo.

Mas o sucessor de Baghdadi, Mohammed Said Abd al Rahman al Mawla, foi capaz de liderar e inspirar novos ataques.

- Perigo "segue vivo" -

Os milhares de extremistas em prisões curdas e pessoas suspeitas de serem parentes de membros do EI mantidas em campos para deslocados se tornaram uma bomba-relógio.

Os curdos sírios mantêm cerca de 43.000 estrangeiros com ligações ao grupo jihadista em prisões e campos informais para deslocados, segundo a ONG Human Rights Watch (HRW).

Entre eles estão cerca de 27.500 menores estrangeiros, dos quais pelo menos 300 estão em prisões, de acordo com a HRW.

Os apelos insistentes para que os países ocidentais repatriem seus cidadãos caíram em ouvidos surdos, já que apenas um punhado de crianças e algumas mulheres foram levadas para casa.

As FDS reiteraram nesta terça-feira seu apelo aos países para acelerar seus esforços de repatriação e estabelecer tribunais internacionais para processar os detidos acusados de serem extremistas.

A maioria dos supostos "parentes" do EI está detida no campo de Al Hol, o maior campo controlado pelas autoridades curdas.

Al Hol é o lar de cerca de 62.000 pessoas, a maioria mulheres e crianças, incluindo sírios, iraquianos e milhares da Europa e da Ásia acusados de laços familiares com combatentes do EI.

Alguns detidos veem este campo como o último vestígio do "califado" transfronteiriço.

"O perigo do grupo EI segue vivo nos milhares de prisioneiros nas prisões, bem como ... em seus parentes mantidos nos campos", concluem as FDS.


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