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Estado de Minas SYDNEY

Vídeos de atos sexuais no Parlamento abalam conservadores na Austrália


23/03/2021 07:19

A divulgação de vídeos de funcionários do governo conservador australiano praticando atos sexuais no Parlamento - um deles se masturba no gabinete de uma deputada - foi um duro golpe para o Executivo nesta terça-feira (23), em meio a um grande mal-estar com o sexismo da classe política.

O primeiro-ministro conservador, Scott Morrison, classificou os comportamentos de "escandalosos".

Morrison já era criticado pela forma como lidou com vários temas, entre eles, uma acusação de estupro feita por uma funcionária contra um ex-colega.

Os vídeos e fotos, que teriam sido compartilhados em um bate-papo em grupo entre funcionários conservadores do governo antes de serem vazados, foram revelados pela primeira vez na segunda-feira à noite (22) pelo jornal The Australian e pelo Channel 10.

O material teve grande impacto, sobretudo, porque são precedidos por uma série de casos que mancham a esfera política australiana e que geraram protestos em todo país.

O denunciante que vazou os vídeos e as fotos, identificado apenas como Tom, disse aos dois meios de comunicação que funcionários do governo e deputados às vezes usavam a sala de oração do Parlamento para terem relações sexuais e que prostitutas foram levadas para o prédio "para o prazer dos deputados da coalizão".

- "Moralmente, estão acabados" -

Ele também relatou que um grupo de funcionários trocava fotos pornográficas de si mesmos e que recebeu tantas que "ficou imune".

O denunciante falou de uma "cultura de homens que acreditam que podem fazer o que querem". Embora considere que, provavelmente, não violaram nenhuma lei, "moralmente, eles estão acabados".

Um assessor já foi demitido e o governo prometeu tomar outras medidas.

A ministra da Mulher, Marise Payne, que também é titular da pasta das Relações Exteriores, disse à imprensa que as revelações são "mais do que decepcionantes" e reforçam a necessidade de investigação ordenada, por parte do governo, sobre a cultura do local de trabalho no Parlamento.

Muitas vozes denunciam a cultura sexista da classe política australiana, em casos de assédio a mulheres.

Em meados de março, dezenas de milhares de pessoas participaram de uma campanha de manifestações chamada #March4Justice (#MarchaPelaJustiça) para denunciar a violência sexual e exigir a igualdade de gênero.

A ministra da Indústria, Karen Andrews, disse estar "completamente farta" do sexismo e acrescentou que "sua consciência não lhe permite mais ficar calada".

- Acusações de estupro -

Em Camberra, Karen disse à imprensa que o Partido Liberal, ao qual ela pertence, deveria considerar cotas para cargos.

Dois casos com ministros envolvidos atingiram, recentemente, o governo de centro-direita.

Primeiro, foram as acusações de uma ex-funcionária do governo. No mês passado, Brittany Higgins afirmou que um colega a estuprou em 2019, no gabinete no Parlamento de Linda Reynolds, então ministra da Indústria de Defesa.

Empossada como ministra da Defesa, esta última foi criticada pela forma como seu gabinete recebeu as acusações da jovem.

No início de março, Christian Porter, principal consultor jurídico do governo, negou ter violentado uma adolescente de 16 anos, com quem estudava, em 1988. Esta mulher faleceu no ano passado.

Ele apresentou uma ação por difamação contra o canal público ABC, o primeiro a divulgar as denúncias.

Nem mesmo a oposição trabalhista, que possui um sistema de cotas, consegue escapar das acusações de sexismo e assédio.


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