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Estado de Minas JERUSALÉM

'Um país maravilhoso': o programa satírico israelense que se alimenta da crise política


22/03/2021 13:18

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aparece em plena "batalha" do hip-hop e toda a classe política é ridicularizada: em Israel, a crise eleitoral dá vida ao programa satírico "Um País Maravilhoso", um líder de audiência.

Nos últimos dias, Eyal Kitsis tem estado muito ocupado. Este cinquentão prepara os últimos "sketchs" de "Eretz Nehederet" ("Um país maravilhoso"), apresentado por ele e que causa furor na televisão israelense.

Com um rosto impassível, Kitsis faz perguntas da atualidade em tom sério para atores que imitam figuras políticas. Em sua 18ª temporada, o programa tem uma audiência de 28%.

E, com a crise política que levou Israel às suas quartas eleições legislativas - na terça-feira - em menos de dois anos, não falta inspiração à equipe.

"Eu gostaria que finalmente tivéssemos um governo estável e fizéssemos um programa chato", diz Kitsis, em tom irônico, em entrevista à AFP.

Há linhas vermelhas na crítica e na sátira? O comediante reconhece que elas são muito permissivas, já que "a realidade (israelense) é de loucura".

"As eleições e a política realmente viraram entretenimento. Nosso desafio, enquanto como programa de humor, é acrescentar uma pátina, levá-lo para um outro nível para os espectadores", explica.

No programa, o ex-comandante em chefe do Exército e ministro da Defesa, Benny Gantz, conhecido por sua ingenuidade política, é caricaturado como O Incrível Hulk, o gigante super-herói americano verde, que mantém uma atitude curiosa e é alvo das ironias de Netanyahu, com o cabelo engomado penteado para trás e com um sorriso meio torto constante.

Quando o jornalista interpretado por Kitsis faz perguntas vergonhosas ao falso Netanyahu, ele se destaca na arte de responder com uma sequência de sílabas que nada significam, a não ser evitar a pergunta e semear mistério.

Uma alusão ao apelido de "mágico político", do qual se gaba Netanyahu, o primeiro-ministro mais antigo na história de Israel. Ele está há 15 anos no poder, apesar de acusações em três casos de corrupção, as quais ele rejeita.

Embora ela não seja candidata a nenhum cargo, Sara, a esposa do primeiro-ministro, é retratada no programa como a verdadeira líder israelense. É ela quem abre o baile, a ponto de nomear o chefe do Mossad, o poderoso serviço de Inteligência estrangeira.

- Hip-hop -

Nas últimas três eleições, Netanyahu e Gantz se enfrentaram. Na terça-feira, o primeiro-ministro em final de mandato enfrenta o centrista Yair Lapid, o radical de direita Naftali Bennett e Gideon Saar, um ex-membro do Likud que criou seu próprio partido.

Saar, com sua imagem de "primeiro da classe", entediado e sem carisma, aparece como um personagem com gestos trêmulos e desajeitados, ofuscado por sua esposa, a ex-apresentadora Geula Even Saar, transformada em uma mulher fatal, que evoca a atriz americana Uma Thurman em "Pulp Fiction", filme de Quentin Tarantino.

"Desde que Saar anunciou a criação do seu partido, também de direita, criou um dinamismo que não existia nas eleições anteriores", sublinha Kitsis, cuja equipe improvisou notavelmente uma falsa "batalha" de hip-hop (competição entre rappers) com os líderes da direita na briga.

Com um novo candidato, a emergência de Naftali Bennett e a dúvida sobre se os partidos nanicos obterão 3,25% dos votos, o mínimo para entrar no Parlamento, os roteiristas conseguiram se divertir.

"De repente, há muito suspense. São tantos temas interessantes que também dão energia à escrita, acrescenta Kitsis.


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