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Estado de Minas BRAZZAVILLE

Morte do principal opositor congolês reforça situação após eleições


22/03/2021 17:12 - atualizado 22/03/2021 17:17

A morte do opositor Guy-Brice Parfait Kolelas, principal rival do presidente Denis Sassou Nguesso nas eleições de domingo no Congo, pode fortalecer o poder do chefe de Estado, cuja reeleição parece garantida, segundo as primeiras estimativas publicadas nesta segunda-feira (22).

Denis Sassou Nguesso, que acumula 36 anos no poder, obteve entre 90% e 100% dos votos em várias seções eleitorais do país, segundo os resultados provisórios de 35 cidades ou bairros, apresentados pelo presidente da Comissão Eleitoral, Henri Bouka. Os resultados definitivos devem ser divulgados na terça ou na quarta-feira, acrescentou.

Em 2016, Sassou Nguesso foi reeleito no primeiro turno com 60% dos votos, segundo os resultados, fortemente rebatidos.

O opositor Guy-Brice Parfait Kolelas, de 61 anos, testou positivo para covid-19 na sexta-feira e faleceu na França nesta segunda no começo da manhã, pouco depois de ter sido transportado de avião de Brazzaville na tarde de domingo, dia da eleição.

"Morreu no avião que veio buscá-lo em Brazzaville no domingo à tarde", declarou Christian Cyr Rodrigue Mayanda, diretor de sua campanha.

O MP de Bobigny (nordeste de Paris) informou à AFP que abriu uma investigação sobre a morte de Kolelas, que não teve o corpo repatriado até o momento. A seção criminal está encarregada da investigação.

Poucas horas antes do início da votação, Kolela divulgou um vídeo em que, deitado em uma cama, afirmou que lutava "contra a morte".

"Meus queridos compatriotas, lutando contra a morte, mas peço que se levantem. Votem pela mudança. Assim não terei lutado por nada", afirmou, debilitado, logo após retirar uma máscara de respiração assistida.

"Levantem-se como um só homem. Me ajudem. Estou lutando em meu leito de morte. Vocês também, lutem pela sua mudança. O futuro de seus filhos está em jogo", acrescentou antes de voltar a colocar o equipamento.

- Oposição debilitada -

Após sua morte, o outro candidato de destaque na oposição, o ex-ministro Mathias Dzon, anunciou que tinha apresentado um recurso ao Tribunal Constitucional para invalidar o primeiro turno das eleições.

O falecimento de Kolelas deixa a oposição ainda mais debilitada. Outros dois candidatos opositores, o general Jean Marie Mokoko e André Okombi Salissa, estão cumprindo pena de 20 anos de prisão por "atentar contra a segurança do Estado".

O principal partido opositor, a União Pan-africana pela Democracia Social (UDAPS), boicotou as eleições de 2021.

Nesta segunda-feira, nos bairros do sul de Brazzaville, reduto eleitoral de Kolelas, a situação era calma, apesar da agressão a um correspondente congolês do canal TV5 Monde na sede do partido do candidato falecido. A polícia teve que intervir.

"Guy-Brice Parfait Kolelas era um grande líder político congolês. Com ele esperávamos uma mudança. A população congolesa está muito comovida. No momento, não imaginamos quem poderia substituí-lo", declarou um simpatizante do político falecido, Wilfrid Raoul.

- Eleições sem incidentes -

Opositor histórico, Kolelas parecia este ano o único rival de peso do presidente Sasssou Nguesso, 77 anos, que acumula 36 anos de poder.

O presidente desejou uma "pronta recuperação" ao rival depois de votar no domingo.

A eleição aconteceu sem grandes incidentes, com forte presença das forças de segurança, segundo informações coletadas pela AFP no local e por SMS.

A Igreja Católica, no entanto, não foi autorizada a mobilizar seus observadores e questionou a transparência das eleições.

Em 2015, Sassou Nguesso remodelou a Constituição que limitava a dois o número de mandatos presidenciais.

Em 2016, sua reeleição provocou uma violenta rebelião na região de Pool, reduto da oposição.


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