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Estado de Minas ATENAS

Grécia celebra bicentenário de sua independência


22/03/2021 08:14

A Grécia celebra na quinta-feira (25) o bicentenário de sua independência do império otomano, após uma revolta popular que começou em 25 de março de 1821, uma revolução que, segundo os analistas, foi apoiada tanto pelas elites como pelas massas.

O governo grego havia planejado celebrações com a presença de muitas autoridades estrangeiras, mas a pandemia de coronavírus acabou com os planos

Apesar da crise de saúde, Atenas receberá os representantes de alguns países que ajudaram a Grécia em sua revolução de quase uma década. Entre as presenças anunciadas estão o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, e o príncipe Charles - herdeiro do trono britânico - com sua esposa Camilla.

O presidente francês, Emmanuel Macron, não comparecerá devido à situação da pandemia em seu país.

Uma frota conjunta britânica, francesa e russa derrotou os otomanos em 1827 durante a batalha de Navarino, um momento decisivo na guerra da independência.

Para o bicentenário, a França emprestou ao país uma obra do século XVIII que retrata a "Escola de Atenas" de Rafael, que será exibida pela primeira vez na Grécia.

Além disso, caças franceses devem sobrevoar a capital grega ao lado de F-16 americanos em 25 de março, a data associada ao início da revolução grega.

Na quinta-feira, na Praça da Constituição, perto do Parlamento grego, soldados desfilarão com trajes tradicionais do conflito de 1821, diante da presidente da República, Katerina Sakellaropoulou, e do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis.

Com exposições e monumentos, as autoridades gregas desejam prestar homenagem aos filelenos, os combatentes estrangeiros que lutaram ao lado da Grécia.

- "Um dever" para a Europa -

A guerra de independência grega comoveu a Europa ocidental "não apenas pela invocação da glória (da antiga Grécia), mas também pela mensagem universal de liberdade", explica à AFP Konstantina Zanou, especialista na região do Mediterrâneo na Universidade de Columbia.

"Ajudar os gregos era considerado um 'dever' para a Europa, a única forma de honrar a Grécia por sua contribuição para o nascimento da civilização ocidental", afirma.

No século XIX, a elite europeia tinha muito interesse pela Grécia clássica.

"Nossas leis, nossa literatura, nossa religião, nossas artes têm suas raízes na Grécia", escreveu Bercy Byssus Shelley em sua tragédia "Hellas" (1821).

Entre os combatentes estrangeiros estava o poeta britânico Lord Byron, ícone do romantismo europeu, que morreu durante o cerco de 1824 a Mesolongi, cidade símbolo da revolução.

"Maratona contempla o mar. E pensando ali por uma hora sozinho, sonhei que a Grécia ainda poderia ser livre", escreveu Byron em seu poema Don Juan, de 1819.

A mensagem do "heroísmo" helênico prevalecia nos textos dos jornais europeus, apesar das atrocidades gregas, e inspirou obras do francês Eugène Delacroix e do alemão Peter Von Hess.

Depois da batalha de Navarino, os otomanos se negaram temporariamente a aceitar a rendição, mas uma nova vitória russa em 1829 permitiu o início de negociações, que resultaram no protocolo de Londres, que proclamou a independência da Grécia.

"Estabelecendo um Estado cristão (...) as grandes potências definiram os Bálcãs como as novas fronteiras da Europa", explica à AFP Yanni Kotsonis, professor de História no Jordan Center da Universidade Nova York.

O Estado soberano grego foi uma "inovação" depois da ordem deixada pelas guerras napoleônicas na Europa, recorda Ada Dialla, professora de História Europeia e Russa na Escola de Belas Artes de Atenas.

"A revolução grega serviu para definir ou redefinir as fronteiras da Europa".


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