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Estado de Minas JERUSALÉM

Em Israel, eleições "imprevisíveis" devem ser decididas por detalhes


21/03/2021 11:58

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seu adversário Yair Lapid tentam neste domingo(21) convencer seus apoiadores a superar o "cansaço eleitoral" às vésperas das quartas eleições parlamentares em menos de dois anos no país.

Na tarde de sábado, milhares de israelenses hostis a Netanyahu, apelidado de "Bibi", se reuniram no centro de Jerusalém para encorajar o resto do país a ir para as urnas na terça-feira e acabar com o reinado do chefe de governo, no poder há 12 anos.

Embora os eleitores contrários a Netanyahu tenham reunido o maior número de pessoas nas ruas, ele tem o maior apoio popular nas urnas, de acordo com as últimas pesquisas, ao final de uma campanha de vacinação que imunizou quase 50% da população contra a covid-19 com duas doses e setores da economia reativados nas últimas semanas, o que favorece o partido no poder.

As últimas pesquisas atribuem ao Likud de Netanyahu (direita conservadora) cerca de 30 cadeiras em 120 no Knesset (Parlamento), contra cerca de 20 de seu oponente centrista Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid ("Há um futuro"), e quase dez para os partidos de direita liderados por Gideon Saar e Naftali Bennett, seguidos por dezenas de micropartidos.

- Matemática eleitoral -

Em Israel, os assentos são atribuídos proporcionalmente nas eleições legislativas. Para entrar no Parlamento, um partido deve obter pelo menos 3,25% dos votos, o que significa 4 cadeiras.

E, para formar um governo, os blocos de Netanyahu e Lapid precisam de uma maioria absoluta (61 cadeiras).

No entanto, atualmente, nenhum desses dois candidatos principais parece em posição de receber tamanho apoio de seus respectivos aliados, a direita religiosa de Netanyahu, a esquerda, o centro e a direita antigovernamental de Lapid.

"Netanyahu está com os olhos fixos no número mágico de 61 assentos", resumiu neste domingo Camil Fuchs, especialista em pesquisas israelenses, durante um encontro online com jornalistas.

"Não apenas a taxa de participação será crucial, mas também quais segmentos da sociedade votarão", acrescentou, chamando as eleições de as "mais imprevisíveis" da história de Israel.

Com um cenário político excessivamente fragmentado, a capacidade de partidos pequenos para atingir o limite para entrar no parlamento pode fazer uma diferença significativa na formação do governo.

No momento, quatro partidos flertam, de acordo com as pesquisas, com o limiar de entrada no parlamento, incluindo a formação de esquerda Meretz, e o partido Azul-Branco do ex-comandante-em-chefe do Exército Benny Gantz, ex-rival de Netanyahu e atualmente em queda livre nas sondagens.

A incapacidade de um ou desses partidos de cruzar o limiar 'mágico' de 3,25% teria o efeito de enfraquecer um bloco, a favor ou contra Netanyahu, e assim jogar com a capacidade de obter os 61 deputados para governar o país.

- A 'reserva' Bennett -

Para quebrar o empate entre os dois grandes blocos, todos os olhos poderiam estar voltados para Naftali Bennett, ex-ministro da Defesa e líder da formação Yamina de extrema direita.

Embora Bennett compartilhe alguns aspectos da ideologia do primeiro-ministro, até agora ele se absteve de escolher lados entre Netanyahu e Lapid.

No entanto, de acordo com o diário de direita Israel Hayom, o Likud lançou atualmente uma ofensiva para "desviar" o apoio dos eleitores de Bennett.

Como? Incentivando-os a votar no Likud ou no novo partido "Sionista Religioso", uma pequena formação de extrema direita perto de cruzar o limiar eleitoral e comprometida a apoiar Netanyahu.


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