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Estado de Minas LOS ANGELES

Museu do Oscar vai abordar racismo e sexismo na história do cinema


11/03/2021 19:33

O aguardado Museu do Oscar de Los Angeles abordará a "história problemática" da indústria cinematográfica, do racismo de "...E o Vento Levou" às recentes controvérsias sobre a sub-representação de mulheres e minorias.

A ideia de um museu dedicado à sétima arte nesta cidade demorou quase um século para sair do papel e o edifício projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, que seria inaugurado em 2017, foi adiado. Agora, porém, as instalações estão prontas e sua abertura está prevista para setembro de 2021, segundo seus diretores.

A atriz Laura Dern, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante no ano passado, guiou esta semana um grupo de jornalistas em um passeio virtual pelo museu, construído no oeste de Los Angeles.

"Não pretendemos ignorar a história problemática", disse a atriz, citando a polêmica campanha #OscarsSoWhite devido à falta de artistas negros, a baixa presença de mulheres e a forma como a Academia tratou a atriz negra Hattie McDaniel em 1940.

Primeira artista negra a receber um Oscar, por seu papel em "...E o Vento Levou" (1939), McDaniel não pôde comparecer à estreia do filme por causa da cor de sua pele. Durante a cerimônia do Oscar, ela não conseguiu entrar no Hotel Ambassador, que praticava a segregação racial, até que os produtores intercederam e ela entrou, mas teve que se sentar em uma mesa separada, longe dos demais atores.

O Museu do Oscar também lembrará o assédio sofrido pela atriz indígena americana Sacheen Littlefeather, que tomou a palavra de Marlon Brando quando ele rechaçou seu Oscar em 1973, para denunciar o tratamento dispensado aos indígenas pelas autoridades dos EUA. E ainda o fato de que atrizes europeias interpretaram personagens chinesas em "Terra dos Deuses", de 1937.

"Não queríamos apagar filmes e artistas e momentos que pudessem ser incômodos. Queríamos encará-los de frente e contextualizá-los, por meio de nossa exposição permanente", explicou o diretor do museu, Bill Kramer.

O local, de mais de 4.500 m2, abrigará relíquias de Hollywood, como as sapatilhas usadas por Judy Garland em "O Mágico de Oz" (1939) e a capa do Drácula.

Conta, também, com uma sala de cinema com 1.000 lugares instalada em uma esfera gigantesca de vidro, aço e concreto, que fica na lateral do museu.

- "O futuro de Hollywood" -

Spike Lee e Pedro Almodóvar estarão entre os primeiros diretores convidados pelo museu para organizar exposições temporárias dedicadas a outros cineastas.

"Quero ver ônibus escolares amarelos estacionados em fila dupla em frente ao museu, e que essas belas mentes jovens sejam iniciadas no cinema", disse Spike Lee.

Na seção dedicada à história do Oscar, serão exibidas vinte estatuetas, entregues a títulos que vão de clássicos do cinema mudo como "Aurora" (1927), de Friedrich Wilhelm Murnau, a sucessos recentes como "Moonlight" (2016), de Barry Jenkins.

Outras galerias celebrarão o trabalho de todos os anônimos que tornam a magia do cinema possível por trás das câmeras: animadores, cabeleireiros, maquiadores, figurinistas, etc.

Uma seção mostrará figurinos famosos, como a roupa de inspiração africana usada pela atriz Danai Gurira em "Pantera Negra" (2018).

"A presença do uniforme de Okoye (sua personagem) no museu da Academia é incrivelmente forte porque a história de Hollywood não se parece com a equipe de 'Pantera Negra'", comentou a atriz, que tem esperança de que o futuro será diferente.

O Museu do Oscar só será inaugurado quando a situação de saúde ligada à pandemia do coronavírus permitir, mas Bill Kramer garantiu que está tudo pronto para receber o público.

E diante do avanço da vacinação na Califórnia e da queda no número de casos de covid-19, o diretor está confiante na capacidade de cumprir a meta e abrir as portas no dia 30 de setembro.


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