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Estado de Minas GENEBRA

Opositora bielorrussa Tikhanovskaya pede ajuda à ONU para continuar 'luta'


08/03/2021 08:36

A líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaya, não pretende parar de "lutar", apesar do pedido de extradição apresentado por Belarus, e pede ajuda à ONU, disse ela à AFP em uma entrevista.

"Temos a convicção de que em algum momento esse regime cairá, porque as pressões a que está sujeito vêm de dentro e de fora. Em algum momento, não poderá evitar começar a negociar para sair dessa enorme crise", afirmou a adversária em entrevista concedida no domingo.

Svetlana Tikhanovskaya foi forçada a fugir para a Lituânia por seu papel no movimento de protesto após as eleições presidenciais de 2020.

Figura proeminente da oposição bielorrussa e candidata a essas eleições, chegou a Genebra no domingo para participar, entre outras atividades, de um debate sobre seu país organizado pelo Festival Internacional de Cinema sobre Direitos Humanos (FIFDH).

Também está presente no festival a opositora Olga Kovalkova, responsável no exílio do Conselho de Coordenação da oposição bielorrussa.

Tikhanovskaya, cujo marido foi preso no ano passado depois de tentar concorrer à presidência, continua firme, apesar do pedido de extradição de Minsk contra ela na sexta-feira, que foi imediatamente rejeitado pela Lituânia.

"O risco é mínimo, mas isso não vai me impedir de lutar", afirmou, muito tranquila, quando questionada se se sentia segura na Europa.

- Pedido de ajuda -

Cercada por seguranças, Tikhanovskaya, de 38 anos, mãe de dois filhos, abriu caminho por entre uma multidão ao chegar a Genebra, em frente à sede das Nações Unidas, onde várias dezenas de seguidores a esperavam.

Sua chegada a Genebra, na Suíça, também foi a ocasião para fazer um apelo de ajuda à ONU.

Embora o Conselho de Direitos Humanos (CDH) já tenha realizado um debate urgente sobre Belarus em setembro, Tikhanovskaya espera que a ONU continue a ajudá-la a tirar seu país da "repressão".

Também planeja se reunir com dois especialistas independentes da ONU nos próximos dias e espera que os 47 Estados-membros do CDH, que atualmente está em sua 46ª sessão, adotem uma resolução sobre seu país.

"Gostaríamos que esta resolução mencionasse o relator especial sobre Belarus para que ele possa ter acesso às prisões e detidos e ver por si mesmo a situação absolutamente deplorável dos locais de detenção", afirmou.

Também solicitou que a resolução contemplasse a criação de um grupo de especialistas para investigar a situação dos direitos humanos em seu país.

A opositora não tem ilusões: "Compreendemos claramente que não é possível manter negociações diretas entre a sociedade bielorrussa e o regime".

O regime do presidente Alexander Lukashenko, que lidera a ex-república soviética desde 1994 e tem o apoio da Rússia, reprime p movimento de protesto desde o ano passado, após sua polêmica reeleição em agosto.

"O regime conseguiu conter todos os protestos com armas, repressão e tortura", lamentou Tikhanovskaya.

A opositora está sendo julgada em seu país desde o outono de 2020 por "convocar ações que atentam contra a segurança nacional", um crime que pode ser punido com pena de três a cinco anos de prisão.


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