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Estado de Minas YANGON

Novos ataques noturnos das forças de segurança na capital birmanesa


07/03/2021 17:50 - atualizado 07/03/2021 17:55

As tropas do governo reprimiram neste domingo (7) os protestos de milhares de birmaneses que saíram às ruas para exigir a restauração da democracia, enquanto continuavam as prisões de membros do partido de Aung San Suu Kyi, um dos quais morreu.

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real para dispersar os manifestantes, segundo depoimentos coletados pela AFP. Durante a noite, continuaram a escutar detonações, segundo as redes sociais.

Alguns manifestantes ficaram feridos, especialmente em Yangon, a capital econômica, onde um homem de 20 anos teve a orelha arrancada, segundo imagens divulgadas nas redes sociais.

Em Mandalay, onde vários manifestantes morreram nos últimos dias, dois socorristas foram atingidos por tiros. Um conseguiu escapar e o outro foi levado pela polícia, segundo seu colega, Yan Naing.

Em Bagan (centro), perto de um famoso sítio arqueológico com pagodes centenários, detonações foram ouvidas.

"Um adolescente de 18 anos levou um tiro na mandíbula", disse à AFP o socorrista Ko Ko. A mídia local noticiou "pelo menos cinco pessoas feridas".

Ao mesmo tempo, as prisões continuaram no sábado à noite, houve ataques em Yangon contra a Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Suu Kyi, derrubada em 1º de fevereiro e detida em um local secreto.

"Não sabemos quantas pessoas foram presas", afirmou Soe Win, uma das autoridades do partido.

Uma autoridade local da LND, Khin Maung Latt, de 58 anos, morreu. "Eles o espancaram e depois o tiraram de casa. Aparentemente, ele não sobreviveu ao duro interrogatório a que foi submetido", contou Tun Kyi, um ex-prisioneiro político.

Outro líder do partido, Maung Maung, também foi alvo, mas as forças de segurança não conseguiram encontrá-lo. Seu irmão foi "torturado porque não havia ninguém para prender", contou um ex-parlamentar do LND.

Deputados que não reconhecem a legitimidade do golpe e criaram um comitê para representar o governo civil serão acusados de "alta traição", um crime punível com morte ou 22 anos de prisão, alertaram no domingo os meios de comunicação que respondem pelo regime militar.

Os cidadãos não devem "se envolver em manifestações para evitar arruinar o futuro de seus filhos", acrescentaram.

Apesar das ameaças, milhares de birmaneses se manifestaram no país, com monges vestidos com túnicas de cor açafrão que fizeram uma grande manifestação em Mandalay.

"Se apelarmos à desobediência civil e à greve sem sair às ruas, não é suficiente. Temos que manter a nossa luta ao mais alto nível (...) Estamos dispostos a morrer", declarou Maung Saungkha, uma das líderes da manifestação.

A mobilização continuará na segunda-feira, quando os principais sindicatos se manifestaram a favor da intensificação da greve geral "para salvar a democracia".

"Devemos agir. Pedimos uma (...) cessação completa e prolongada da economia", escreveram nove sindicatos.

- Economia fragilizada -

As greves têm um grande impacto na já fragilizada economia birmanesa, com bancos incapazes de funcionar, hospitais fechados e gabinetes ministeriais vazios.

O medo é onipresente: mais de 50 pessoas morreram desde o início da insurreição pacífica contra o golpe de 1º de fevereiro.

Nas imagens que circularam na rede, forças de segurança são vistas disparando contra a multidão e retirando cadáveres de manifestantes.

O Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), apoiado pelo exército, participa dos ataques aos manifestantes.

Membros do PUSD mataram na sexta-feira um representante local da NLD e um adolescente de 17 anos, de acordo com a Associação para Assistência a Prisioneiros Políticos (AAPP).

No sábado, as forças de segurança usaram munição letal contra os manifestantes, de acordo com esta ONG birmanesa.

A imprensa estatal nega que a polícia e o exército estejam ligados a essas mortes.

De autoridades locais, políticos, jornalistas, ativistas a artistas, centenas de pessoas foram presas desde 1º de fevereiro, às vezes com violência.

As pessoas detidas em Yangon muitas vezes acabam na prisão de Insein, onde muitos presos políticos cumpriram penas em ditaduras anteriores.

Diante da deterioração da situação, alguns birmaneses fogem do país.

Cerca de 50, incluindo oito policiais que se recusaram a participar da repressão, chegaram à vizinha Índia.

Mianmar exigiu que a Índia repatriasse os oito policiais "para preservar as boas relações entre os dois países", em uma carta a que a AFP teve acesso.

Cerca de 100 birmaneses ainda estão na fronteira, na esperança de que tenham permissão para entrar no país.

Os generais ignoram os protestos da comunidade internacional, dividida sobre como responder.

Estados Unidos e União Europeia anunciaram medidas coercitivas, mas alguns observadores pedem um embargo internacional ao fornecimento de armas, decisão que requer a concordância de todos os membros do Conselho de Segurança da ONU.

Mas China e Rússia, tradicionais aliadas do exército birmanês e exportadoras de armas ao país, se recusam a falar em "golpe".

Em Bangcoc, milhares de trabalhadores birmaneses na Tailândia manifestaram-se neste domingo em frente à representação da ONU, pedindo à comunidade internacional que aja com mais firmeza.

Enquanto isso, ao menos 168 rohingyas - uma minoria muçulmana que fugiu da perseguição em Mianmar, de maioria budista - estão em um centro de detenção desde sábado em uma região do norte da Índia, prestes a serem expulsos de seu país de origem, um chefe de polícia local anunciou neste domingo (7).

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